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sábado, 26 de outubro de 2013
sexta-feira, 10 de maio de 2013
Amor
O amor é doce
Doce ilusão decisória
Mandatória do não
Alusão
Mais nada será
Desse porvir
Mártir
Que recrimina
Alucina
Doce ilusão decisória
Mandatória do não
Alusão
Mais nada será
Desse porvir
Mártir
Que recrimina
Alucina
terça-feira, 1 de maio de 2012
Era uma vez...
Era uma vez duas pessoas sensuais
que se sensualizaram com amor puro e sincero da montanha no meio do
supermercado. Começou assim:
- Oi. Você por acaso sabe aonde
ficam as ervilhas?
- Hum. Vai até o final do
corredor, vire a direita e ande por três prateleiras e vire a esquerda.
- Obrigado. Seus olhos são tão
lindos.
- Hihi. E o seu pipi é tão
charmoso.
- Ui. Vamos comer pão com
manteiga em casa?
- Só se eu puder levar a cerveja.
- A vontade. Mas já aviso: não
tenho lasanha.
- Tudo bem, sou alérgica a moluscos.
- Moro na rua atras do Lanchão,
número 678. Aqui está a chave reserva, pode entrar sem bater.
- Ok. Até +.
Algumas
horas depois, Natalia foi até o número 678 da rua atras do Lanchão e entrou sem
bater, mas não sem alguma dificuldade. Era necessário certa manha para
conseguir abrir a fechadura. Ela aprendeu rápido e entrou. Parecia não haver
ninguém. Pensou em gritar o nome do rapaz e o teria feito se não fosse pelo
fato de não sabê-lo.
Cruzou
a sala em silêncio, que era bem simples: um sofá, um rack com uma televisão, um
aparelho de DVD, vários filmes espalhados, entre eles, Dogville capturou seus
olhos, talvez por tê-lo visto na semana anterior e achado bem interessante. A
sala tinha uma mesa redonda e bem pequena, com quatro cadeiras dispostas aleatoriamente.
Em cima havia um vaso com a cabeça de um animal, um veado. Estava ficando tão
na moda isso, que ela ficou um pouco frustrada. Curtia seus homens com gostos
exóticos e não comuns. Flores seriam tão mais inovadoras. Entretanto, havia
algo naquela cabeça grotesca que prendeu sua atenção. Os olhos mortos
divergentes apontavam, um para uma janela aberta, através da qual se podia vera
tardede segunda-feira e o outro um espelho, no qual era forçado a fixar sua
imagem imutável, acomodada ali dia após dia. Mas do que importava isso, para os
mortos não existe mais futuro e nem passado. Somente aquele presente eterno,
resignado, dilacerado.
Haviam
duas portas na sala, uma estava fechada a outra levava para a cozinha. Optou
pela segunda e foi direto para a geladeira colocar a cerveja. Não houve nem um
problema para espaço, estava praticamente vazia. Havia uma panela com resto de miojo,
uma caixa de leite, queijo, algumas maçãs e outras coisas que ela nem deu muita
atenção. Ao fechar a porta, olhou em volta. A cozinha estava um brinco de
limpeza, isso quase a fez ter um enfarto. Como assim? Como ele deixa um resto
de miojo na geladeira e o resto tudo tão limpo? Ela não podia aceitar isso.
Precisava cuidar daquilo agora, era o minimo que o senso de limpeza virginiano
dela exigia.
Pegou
panelas, abriu as prateleiras, tirou os ingredientes que precisava, começou a
preparar uma bela macarronada, deixou o molho cair no chão de propósito e
sorriu quando o óleo dos quibes espirraram em tudo. Pegou copos e encheu com coca,
e os esvaziou na pia. Mas deixava um restinho. Espalhou esses copos
estratégicamente pela cozinha, e um deles colocou na geladeira, por que não?
Terminou de fazer a macarronada, serviu dois pratos e jogou a comida deles no
lixo, mas não sem deixar um pouquinho para tampar o filtro na pia quando os
colocasse lá. Começou o arroz e a fritar uns bifes. A cozinha estava ficando
tão maravilhosa que nem podia acreditar. Jogou um dos quibes no teto, só por
brincadeira, os outros foram pro lixo também, mas não sem passar por um prato
antes, junto com um pouco de arroz.
Quando
Natalia terminou com a cozinha, ela estava imunda. Nem parecia a mesma de
quando havia entrado. Ela sorriu, estava perfeita. Pegou os bifes, colocou no
prato e levou para a mesa, abriu uma cerveja e começou a beber, já estavam
geladas. Sentou-se ali e esperou. Quando chegou no meio da lata mais ou menos
ele apareceu. Veio do quarto que ficava do lado da sala. Olhou em volta e
gritou:
- Está louca?
- Não... Por que?
- O que você fez aqui?
- Dei um jeito de leve na sua
cozinha ué.. Você não arruma nada.
- De leve?! Como assim de leve?
Você a deixou perfeita! E você nem me conhece. Meu Deus! Meu Deus! Você é
perfeita.
- Hihihi. Não é para tanto.
- Po! Não precisava, a gente nem
se conhece...
- Ainda! Coloquei as cervejas na
geladeira. Pegue uma e vamos comer esses bifes.
- É pra já.
- Ah. Esqueci de pegar as
colheres, faz o favor.
Ele
pegou a cerveja e trouxe duas colheres. Devoraram os bifes, esfomeados como
estavam. Beberam as cervejas durante toda a tarde, conversando e descobrindo
tantas coisas similares entre si que era até assustador. Quando perceberam, já
era de manhã e tinham feito sexo a noite toda, tão pacifica e carinhosamente
que a cama até quebrara. E ficaram ali, abraçados, sem saber o que fazer. A
verdade é que não queriam fazer nada. Só ficar ali, e ali ficaram. Viveram
felizes para sempre durante 2 anos, quando as brigas começaram e três meses
depois se separaram. Deixaram de amar um ao outro para voltarem a amar a si
mesmos apenas.
domingo, 26 de junho de 2011
Explosão



E que se foda!E que se foda tudo! Foda-se o bom desenho! Desenhei essa história, porque precisava me expressar. Precisava dizer coisas que não havia outro modo de dizer. Precisava sentir coisas, que não havia outro modo de sentir. Precisava me expressar. Precisava de um desenho para liberar minha frustração. E foda-se se ele não está bem desenhado. Fodam-se os desenhos bem feitos! É! Viva o Arthur! E foda-se se a história parece não ter começo. Começo não há e nunca haverá. Começo é só o ponto em que o narrador decidiu colocar o dedo e falar: narro a partir daqui! E o fim é só o momento que ele tira esse dedo e manda tudo se foder!
Que se fodam as coisas e os amores perdidos.
Que se fodam as histórias com começo-meio-fim.
Que se fodam os romances que não vivo.
Que se fodam esses sentimentos amorosos em minha alma.
Que se foda...
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Os Três Niveis do Amor das Flores no Rochedo ou Considerações Sobre a Navalhada, a Punhalada e a Facada
I. A Navalhada da Decepção
Jorge chegou no apartamento de Eduardo de maneira inesperada. Ele acabava de sair do banho quando recebeu a mensagem que Jorge logo estaria ali. Na realidade, sabia que ele viria, só não sabia o horário.
- Então - começou Jorge, depois que já estavam na cozinha, cada um com um copo de cerveja na mão - descobri algo. Algo que vai te animar.
- O que?
- Você precisa ver com seus próprios olhos.
- Fala logo!
- Não! Preciso de mostrar, se não você vai fugir como sempre faz. E, o loco, já vai abrir outra garrafa? Ta tomando muito rápido!
- Eu preciso beber.
- O que aconteceu?
Ficaram em silêncio por algum tempo. Eduardo queria contar ao amigo, só não sabia como. Os pensamentos fluíam em sua mente de maneira desordenada. Uma memória ia para outra, enquanto sentimentos dispares dançavam sobre elas. E tudo isso precisava ser condensado em palavras. Meras palavras. Jorge esperava, enquanto olhava para o amigo. Uma de suas qualidades era saber dar o silêncio para as pessoas quando precisavam. Não sentia a necessidade de ficar falando como um louco. Era isso que fazia dos dois grandes amigos. Eduardo era bem inteligente, mas tinha problemas para passar em palavras suas idéias, o que o fazia demorar, as vezes, para conseguir comunicar algo.
- Então - começou, depois de alguns minutos, enquanto ia pegar a terceira garrafa de cerveja - é a Cristina de novo cara. Sempre ela. Por que eu não consigo esquecê-la? Eu a amo.. Essa é a verdade. A amo mais do que gostaria. E tipo, você me entende não? Eu tento. Eu só gostaria que ela me considerasse um amigo, mas não sei, por mais que a gente converse ela parece me considerar um nada. E ontem, ontem foi foda.
- O que aconteceu?
- Eu descobri que ela vai fazer uma festa de aniversário esse final de semana. Ela convidou todo mundo, menos eu, todo mundo! E ontem eu fiquei com ela a tarde inteira, e ela não mencionou nada. Acredita nisso? E sei la. O que me irrita mais, é que eu converso bastante com ela, conto coisas para ela, que sei la, são coisas que eu só teria coragem de contar para você. E ela me trata como se eu não existisse. Esse esquecimento dela é uma facada pro meu coração.
- Te entendo. Mulheres são cruéis mesmo. Mas você não pode deixar ela te abater assim cara.
- Eu tento. Tento mesmo, mas só a visão dela despedaça meu coração. É muito forte.
- Mas você tem duas opções só, ou você diz tudo para ela ou larga disso.
- Eu tento, mas se eu não consigo que ela se importe comigo como amigo, como esperar que ela se importe comigo como algo mais? Eu realmente tento.
Dessa vez foi Jorge que foi pegar uma outra garrafa de cerveja. Aproveitou o momento para dar um silêncio estratégico.
- Quais tão mais geladas aqui?
- Pega as do fundo.
- Então - começou Jorge, voltando para a mesa - você tem que curtir mais a vida, sair mais. É que você fica limitado no seu mundo, ai ela parece a única opção. Sair e conhecer pessoas, é o que você precisa.
- Não tenho animo, nem curto tanto assim sair, você sabe.
- Chega disso. A gente vai sair, e vai ser hoje!
- Sair aonde?
- Você vai ver, já marquei com o pessoal, o Marcos e o André vão também. Vai ser uma boa oportunidade para gente trocar umas idéias e curtir.
- Sei la..
- É sexta-feira poxa! Você trabalha amanhã? Não! Então, vamo lá! Chega de ficar deprimido e solitário em casa. Vai te ajudar a refrescar a mente.
Algumas horas depois, eles estavam dentro de um astra cinza rumo a algum lugar que Eduardo não sabia aonde era. Mas que os outros, principalmente Jorge, pareciam muito empolgados em ir. Foi só quando entraram naquela rua ali que ele percebeu. Mas já era tarde demais.
- Porra, vocês tão me levando pro puteiro? - falou Eduardo, realmente irritado e com um sentimento de fuga no seu coração. Queria voltar para casa imediatamente, sem pensar.
- Cara, essa casa é das boas! A gente descobriu ela ontem! O nível das mulheres aqui é muito foda! Compensa cada centavo! - disse Marcos.
- Porra! Não quero saber! Caralho. Mancada isso ai! - tentou argumentar Eduardo, mas percebia que os outros nem ligavam.
- Cara, vamos ae. Vamos curtir! Você não precisa pegar nenhuma puta não. A gente nem ta muito afim também. Vamos ficar mais no barzinho tomando uma só e olhando uns peitinhos! Olhar é de graça hehe - disse Jorge.
- Eu não curto essas coisas, po! Vocês sabem disso. Relaxo! Vamos embora. - Eduardo estava realmente frustrado com a situação, queria pular fora do carro, seu coração batia bem rápido.
- Cara, como eu disse, vamos ai só para tomar umas, é de boa! Você não precisa comer nada se não quiser. Vai ficar tomando sozinho em casa? Vamos ae!
Depois de uma longa discussão, finalmente os três conseguiram levar Eduardo para dentro do puteiro, e eles ficaram ali. Procuraram uma mesa, e ficaram tomando umas, enquanto olhavam o movimento no local. Algumas mulheres quase totalmente sem roupas dançavam no palco, outras passavam exibindo suas curvas pelas mesas, provocandos os homens ali. Jorge, André e Marcos pareciam curtir bastante o ambiente. Só Eduardo que estava mais quieto que o de costume. Estava extremamente irritado, considerava os amigos uns traídores. Não confiaria mais neles. Nem um pouco. André e Marcos até vá, mas não esperava isso de Jorge. Nunca de Jorge. Olhava para ele com raiva, mas o amigo retribuía com um olhar sorridente e passava uma mão boba numa das moças em volta.
Em certo momento, Eduardo precisou ir ao banheiro e foi quando estava saindo dele que aconteceu. Trombou com Cristina, ali, saindo do banheiro feminino do lado. Aquelas roupas que ela vestia, ou melhor, aquelas roupas que ela não vestia, aquela maquiagem e aquele lugar, só podiam significar uma coisa. E foi nesse momento que Eduardo sentiu uma navalhada de decepção estilhaçar seu coração.
II. A Punhalada da Rejeição
- Cristina?! - falou com uma voz baixa, mas forte. Ia perguntar para ela o que ela fazia ali, mas a resposta era tão óbvia, que nem terminou de abrir a boca ao fazê-lo.
Ela olhou para ele, soltou uma baforada do cigarro que fumava.
- Olá - disse, como se tivessem se encontrado casualmente entre as prateleiras de um supermercado - Tudo bom? Estou atrasada, depois a gente conversa.
A indiferença dela o irritou. Ela sabia o que ele sentia, ele tinha certeza disso. Não era possível não saber. Ele era um cara óbvio em relação aos seus sentimentos, não sabia disfarçá-los. Se fosse outra situação, ele engoliria essa indiferença dela. Mas ali, misturados a decepção que sentia, não aguentou. Segurou-a pelo braço. Queria a atenção dela. Mas nisso um homem grande de terno os separou.
- Algum problema? - disse o homem.
- Nenhum. Eu só perdi o equilibrio e ele me ajudou a não cair - disse Cristina - Mas agora tenho coisas a fazer - disse ela, e andou até um canto, aonde um homem de uns 50 anos, bem vestido a esperava. A pegou pelo braço e os dois foram para o local aonde ficavam os quartos dando umas risadinhas.
Eduardo ficou em silêncio enquanto observava tudo isso. Voltou para a mesa aonde os amigos estavam, não sem passar no bar antes.
- Estamos pensando em ir embora, já que você nem está curtindo muito - disse André, nisso reparou no copo de uísque na mão de Eduardo - Ou será que você está mudando de idéia?
- Vamos ficar - disse, e virou a dose numa só e pediu outra.
- Encontrou algum rabo de saia que te interessou por ai? - disse Jorge.
Eduardo o olhou. Será que o amigo sabia? Teria trazido ele aqui de propósito? Ficou o olhando, olhando aquele sorriso maroto. Todos sorriam naquele lugar, sem se importar com sua alma em ruínas, com seu espírito em decadência. E em algum canto ali, ela ria também, ria enquanto alguém a comia. A imagem daquele senhor com o bigode entre as pernas dela o desesperava. Sua alma gritava em fúria, e ele descontava na bebida. Em vez de pedir outra dose, pediu a garrafa. Cerveja era muito fraca para aquela agonia.
Suas memórias e seus sentimentos voavam, como se estivessem vivos. Sua pele se arrepiava com as idéias que tomavam conta de sua mente. Ele sempre tentou compreender porque ela não o tratava como amigo. Ele sempre quis essa respostava enquanto esperava por ela. Sempre esperando como um tonto. E tudo que ele pedia a ela, no fundo de seu coração, é que ela esperasse por ele uma vez. Uma vez. Que ela demonstrasse algum interesse por ele. Mas no fim, a verdade era que ele nem existia para ela. A navalha da indiferença retalhava o interior do seu peito, sem misericórdia alguma. E uma lágrima escorreu pelo seu rosto. Os amigos o olhavam atonitos, e tentavam entender o que aconteceu. Mas ele ignorava as vozes deles. Apenas falava para deixar ele em paz. Foi quando Jorge disse:
- Cara, ela nunca ia dar o cuzinho para você mesmo! Vamos comer umas putas e se divertir!
Eduardo se irritou e agarrou a gola do amigo em fúria. Sentiu olhos virando na direção da mesa. Dois homens de terno vinham rápido em direção a ela. Mas ele soltou logo. Sabia que sua raiva não era em relação ao amigo. Não, o amigo só tinha aberto os olhos dele. Os olhos para a verdade que ele nunca quis ver. Pensava nessas coisas, enquanto Jorge dizia que estava tudo bem para os segurança.
- Ela é uma das mais caras aqui. 400 a hora com ela. - disse Jorge.
- Por que cara? Por que?
- Se eu te dissesse você acreditaria? Você tem que esquecer ela.
- Do que estão falando? - Perguntou André.
- Nada não - disse Jorge.
- Pelo jeito nosso amigo aqui quer uma puta muito cara pro salário dele - disse Marcos, e jogou uma nota de 100 na mesa - Pegai! Te ajudo a pagar!
André fez o mesmo. Jorge olhou para os dois peixinhos, olhou para o amigo, e tacou um cheque de 200 reais na mesa enquanto dizia: "Pronto. Vá viver seu sonho."
III. A Facada do Amor
Eduardo olhou para a grana, e para os amigos. Mas não disse nada, apenas encheu seu copo mais uma vez e começou a beber. Sua alma estilhaçada não permitia a ele esboçar nenhuma reação. André e Marcos logo saíram da mesa para aproveitar a noite com duas putas nas quais estavam de olho por um tempo, Jorge falou que cuidaria de Eduardo enquanto eles estivessem fora.
- Foi mal cara. Eu queria te falar, mas você não acreditaria - Eduardo ficou quieto. A única maneira com que expressava algo era o levantar e baixar do copo - Eu fui falar com ela ontem, quando vi ela aqui. Fiquei bem surpreso, bem surpreso mesmo! E cara, eu falei para ela, falei tudo sobre você, como você é apaixonado por ela e tudo mais, que ela precisava dizer para você que não te ama, assim você poderia ficar mais sussegado e esquecer ela.
- E ai? - Havia certo brilho nos olhos de Eduardo ao ouvir as palavras do amigo. O primeiro sinal de vida que ele dava desde que descobriu a verdade das coisas.
- Bom. Eu sei que é dificil. Mas ela deu uma risada e disse que sabia de tudo, que você era claro como o dia - Eduardo levou a mão no coração. Jorge não precisava de muito para saber que a punhalada do menosprezo entrava ali. - E que ela não ia dizer nada. Que ela gostava de você, assim, atras dela.
Eduardo ia encher outra dose, mas Jorge tirou a garrafa de perto e falou prum garçom levar ela embora, mesmo a protestos de Eduardo.
- Você já bebeu muito hoje cara. Eu queria mesmo ter te dito essas coisas. Mas você não ia acreditar, ia achar que era só eu tentando te incentivar a esquecê-la. Mas é isso, essa é a verdade das coisas. Quando o André e o Marcos voltar a gente vai embora.
Ficaram ali, em silêncio, os dois. Sem mais sorrir. A risada estava morta. Em certo momento, Eduardo se levantou e foi ao banheiro. Ficou ali além do tempo da mijada, apreciando sua própria dor. Quando saiu viu que Cristina e o homem haviam acabado. Ele provavelmente já tinha enfiado e tirado a vara de dentro dela várias vezes nessa hora que ficaram juntos. A raiva de Eduardo voltou a brotar. Ele foi até a mesa, aonde Jorge esperava, pegou a grana e falou:
- Eu vou tê-la. Nem que seja por uma noite. Aquela vadia, puta, vou gozar dentro dela.
Ele foi. Irritado. Esticou as duas notas e o cheque e disse:
- Agora vai ser comigo!
- Já tenho um cliente marcado para daqui 10 minutos. Você não vai conseguir nada comigo hoje. - ela deu um sorriso para ele, enquanto acendia um cigarro.
- Pago o dobro do que você vale!
- Não.
- O triplo! Pago o triplo!
- Não.
- Puta que o pariu! Você é puta ou não é?! Vou ter pagar quatro vezes mais, mas você vai dar para mim!!!!
- Não - disse ela com um sorriso no rosto, enquanto soltava uma baforada no rosto dele.
- Você dá para todo mundo caralho! Por que você não quer dar para mim?
Ela se sentou numa mesa vazia, e apontou para a cadeira a frente. Eduardo, tremendo de raiva se sentou, e os dois ficaram se olhando.
- Para você, o preço é diferente.
- Quanto? Me diz seu valor que eu pago.
- Quero seu coração.
Eduardo ficou parado. Sem entender, confuso. Aquelas palavras quebraram qualquer expectativa que ele poderia ter.
- Quero seu coração - disse ela - Porque não cobro dinheiro de quem amo.
O coração de Eduardo palpitava, teria ele entendido certo?
- Me ama?
- Sim. Meu expediente acaba daqui uma hora, depois que eu atender aquele senhor - apontou para um velho que caminhava em direção a eles.
Eduardo a olhava confuso para ela
- Como assim?
- É só para você saber - Ela se levantou e cochichou no ouvido dele - Saber a hora que pode me acompanhar até em casa - e foi até o velho, pegou no braço dele, e o levou até o quarto.
Eduardo voltou até a mesa sem perceber que sorria. Jorge o estranhou:
- E ai cara?
Eduardo não disse nada. Ficou apreciando a alegria em seu coração. Logo, Marcos e André estavam ali, prontos para ir embora.
- Podem ir - disse Eduardo - Eu vou esperar por ela.
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Esse conto foi escrito em conjunto por Caetano e Zeh (que pensa em um final alternativo hehe)
Jorge chegou no apartamento de Eduardo de maneira inesperada. Ele acabava de sair do banho quando recebeu a mensagem que Jorge logo estaria ali. Na realidade, sabia que ele viria, só não sabia o horário.
- Então - começou Jorge, depois que já estavam na cozinha, cada um com um copo de cerveja na mão - descobri algo. Algo que vai te animar.
- O que?
- Você precisa ver com seus próprios olhos.
- Fala logo!
- Não! Preciso de mostrar, se não você vai fugir como sempre faz. E, o loco, já vai abrir outra garrafa? Ta tomando muito rápido!
- Eu preciso beber.
- O que aconteceu?
Ficaram em silêncio por algum tempo. Eduardo queria contar ao amigo, só não sabia como. Os pensamentos fluíam em sua mente de maneira desordenada. Uma memória ia para outra, enquanto sentimentos dispares dançavam sobre elas. E tudo isso precisava ser condensado em palavras. Meras palavras. Jorge esperava, enquanto olhava para o amigo. Uma de suas qualidades era saber dar o silêncio para as pessoas quando precisavam. Não sentia a necessidade de ficar falando como um louco. Era isso que fazia dos dois grandes amigos. Eduardo era bem inteligente, mas tinha problemas para passar em palavras suas idéias, o que o fazia demorar, as vezes, para conseguir comunicar algo.
- Então - começou, depois de alguns minutos, enquanto ia pegar a terceira garrafa de cerveja - é a Cristina de novo cara. Sempre ela. Por que eu não consigo esquecê-la? Eu a amo.. Essa é a verdade. A amo mais do que gostaria. E tipo, você me entende não? Eu tento. Eu só gostaria que ela me considerasse um amigo, mas não sei, por mais que a gente converse ela parece me considerar um nada. E ontem, ontem foi foda.
- O que aconteceu?
- Eu descobri que ela vai fazer uma festa de aniversário esse final de semana. Ela convidou todo mundo, menos eu, todo mundo! E ontem eu fiquei com ela a tarde inteira, e ela não mencionou nada. Acredita nisso? E sei la. O que me irrita mais, é que eu converso bastante com ela, conto coisas para ela, que sei la, são coisas que eu só teria coragem de contar para você. E ela me trata como se eu não existisse. Esse esquecimento dela é uma facada pro meu coração.
- Te entendo. Mulheres são cruéis mesmo. Mas você não pode deixar ela te abater assim cara.
- Eu tento. Tento mesmo, mas só a visão dela despedaça meu coração. É muito forte.
- Mas você tem duas opções só, ou você diz tudo para ela ou larga disso.
- Eu tento, mas se eu não consigo que ela se importe comigo como amigo, como esperar que ela se importe comigo como algo mais? Eu realmente tento.
Dessa vez foi Jorge que foi pegar uma outra garrafa de cerveja. Aproveitou o momento para dar um silêncio estratégico.
- Quais tão mais geladas aqui?
- Pega as do fundo.
- Então - começou Jorge, voltando para a mesa - você tem que curtir mais a vida, sair mais. É que você fica limitado no seu mundo, ai ela parece a única opção. Sair e conhecer pessoas, é o que você precisa.
- Não tenho animo, nem curto tanto assim sair, você sabe.
- Chega disso. A gente vai sair, e vai ser hoje!
- Sair aonde?
- Você vai ver, já marquei com o pessoal, o Marcos e o André vão também. Vai ser uma boa oportunidade para gente trocar umas idéias e curtir.
- Sei la..
- É sexta-feira poxa! Você trabalha amanhã? Não! Então, vamo lá! Chega de ficar deprimido e solitário em casa. Vai te ajudar a refrescar a mente.
Algumas horas depois, eles estavam dentro de um astra cinza rumo a algum lugar que Eduardo não sabia aonde era. Mas que os outros, principalmente Jorge, pareciam muito empolgados em ir. Foi só quando entraram naquela rua ali que ele percebeu. Mas já era tarde demais.
- Porra, vocês tão me levando pro puteiro? - falou Eduardo, realmente irritado e com um sentimento de fuga no seu coração. Queria voltar para casa imediatamente, sem pensar.
- Cara, essa casa é das boas! A gente descobriu ela ontem! O nível das mulheres aqui é muito foda! Compensa cada centavo! - disse Marcos.
- Porra! Não quero saber! Caralho. Mancada isso ai! - tentou argumentar Eduardo, mas percebia que os outros nem ligavam.
- Cara, vamos ae. Vamos curtir! Você não precisa pegar nenhuma puta não. A gente nem ta muito afim também. Vamos ficar mais no barzinho tomando uma só e olhando uns peitinhos! Olhar é de graça hehe - disse Jorge.
- Eu não curto essas coisas, po! Vocês sabem disso. Relaxo! Vamos embora. - Eduardo estava realmente frustrado com a situação, queria pular fora do carro, seu coração batia bem rápido.
- Cara, como eu disse, vamos ai só para tomar umas, é de boa! Você não precisa comer nada se não quiser. Vai ficar tomando sozinho em casa? Vamos ae!
Depois de uma longa discussão, finalmente os três conseguiram levar Eduardo para dentro do puteiro, e eles ficaram ali. Procuraram uma mesa, e ficaram tomando umas, enquanto olhavam o movimento no local. Algumas mulheres quase totalmente sem roupas dançavam no palco, outras passavam exibindo suas curvas pelas mesas, provocandos os homens ali. Jorge, André e Marcos pareciam curtir bastante o ambiente. Só Eduardo que estava mais quieto que o de costume. Estava extremamente irritado, considerava os amigos uns traídores. Não confiaria mais neles. Nem um pouco. André e Marcos até vá, mas não esperava isso de Jorge. Nunca de Jorge. Olhava para ele com raiva, mas o amigo retribuía com um olhar sorridente e passava uma mão boba numa das moças em volta.
Em certo momento, Eduardo precisou ir ao banheiro e foi quando estava saindo dele que aconteceu. Trombou com Cristina, ali, saindo do banheiro feminino do lado. Aquelas roupas que ela vestia, ou melhor, aquelas roupas que ela não vestia, aquela maquiagem e aquele lugar, só podiam significar uma coisa. E foi nesse momento que Eduardo sentiu uma navalhada de decepção estilhaçar seu coração.
II. A Punhalada da Rejeição
- Cristina?! - falou com uma voz baixa, mas forte. Ia perguntar para ela o que ela fazia ali, mas a resposta era tão óbvia, que nem terminou de abrir a boca ao fazê-lo.
Ela olhou para ele, soltou uma baforada do cigarro que fumava.
- Olá - disse, como se tivessem se encontrado casualmente entre as prateleiras de um supermercado - Tudo bom? Estou atrasada, depois a gente conversa.
A indiferença dela o irritou. Ela sabia o que ele sentia, ele tinha certeza disso. Não era possível não saber. Ele era um cara óbvio em relação aos seus sentimentos, não sabia disfarçá-los. Se fosse outra situação, ele engoliria essa indiferença dela. Mas ali, misturados a decepção que sentia, não aguentou. Segurou-a pelo braço. Queria a atenção dela. Mas nisso um homem grande de terno os separou.
- Algum problema? - disse o homem.
- Nenhum. Eu só perdi o equilibrio e ele me ajudou a não cair - disse Cristina - Mas agora tenho coisas a fazer - disse ela, e andou até um canto, aonde um homem de uns 50 anos, bem vestido a esperava. A pegou pelo braço e os dois foram para o local aonde ficavam os quartos dando umas risadinhas.
Eduardo ficou em silêncio enquanto observava tudo isso. Voltou para a mesa aonde os amigos estavam, não sem passar no bar antes.
- Estamos pensando em ir embora, já que você nem está curtindo muito - disse André, nisso reparou no copo de uísque na mão de Eduardo - Ou será que você está mudando de idéia?
- Vamos ficar - disse, e virou a dose numa só e pediu outra.
- Encontrou algum rabo de saia que te interessou por ai? - disse Jorge.
Eduardo o olhou. Será que o amigo sabia? Teria trazido ele aqui de propósito? Ficou o olhando, olhando aquele sorriso maroto. Todos sorriam naquele lugar, sem se importar com sua alma em ruínas, com seu espírito em decadência. E em algum canto ali, ela ria também, ria enquanto alguém a comia. A imagem daquele senhor com o bigode entre as pernas dela o desesperava. Sua alma gritava em fúria, e ele descontava na bebida. Em vez de pedir outra dose, pediu a garrafa. Cerveja era muito fraca para aquela agonia.
Suas memórias e seus sentimentos voavam, como se estivessem vivos. Sua pele se arrepiava com as idéias que tomavam conta de sua mente. Ele sempre tentou compreender porque ela não o tratava como amigo. Ele sempre quis essa respostava enquanto esperava por ela. Sempre esperando como um tonto. E tudo que ele pedia a ela, no fundo de seu coração, é que ela esperasse por ele uma vez. Uma vez. Que ela demonstrasse algum interesse por ele. Mas no fim, a verdade era que ele nem existia para ela. A navalha da indiferença retalhava o interior do seu peito, sem misericórdia alguma. E uma lágrima escorreu pelo seu rosto. Os amigos o olhavam atonitos, e tentavam entender o que aconteceu. Mas ele ignorava as vozes deles. Apenas falava para deixar ele em paz. Foi quando Jorge disse:
- Cara, ela nunca ia dar o cuzinho para você mesmo! Vamos comer umas putas e se divertir!
Eduardo se irritou e agarrou a gola do amigo em fúria. Sentiu olhos virando na direção da mesa. Dois homens de terno vinham rápido em direção a ela. Mas ele soltou logo. Sabia que sua raiva não era em relação ao amigo. Não, o amigo só tinha aberto os olhos dele. Os olhos para a verdade que ele nunca quis ver. Pensava nessas coisas, enquanto Jorge dizia que estava tudo bem para os segurança.
- Ela é uma das mais caras aqui. 400 a hora com ela. - disse Jorge.
- Por que cara? Por que?
- Se eu te dissesse você acreditaria? Você tem que esquecer ela.
- Do que estão falando? - Perguntou André.
- Nada não - disse Jorge.
- Pelo jeito nosso amigo aqui quer uma puta muito cara pro salário dele - disse Marcos, e jogou uma nota de 100 na mesa - Pegai! Te ajudo a pagar!
André fez o mesmo. Jorge olhou para os dois peixinhos, olhou para o amigo, e tacou um cheque de 200 reais na mesa enquanto dizia: "Pronto. Vá viver seu sonho."
III. A Facada do Amor
Eduardo olhou para a grana, e para os amigos. Mas não disse nada, apenas encheu seu copo mais uma vez e começou a beber. Sua alma estilhaçada não permitia a ele esboçar nenhuma reação. André e Marcos logo saíram da mesa para aproveitar a noite com duas putas nas quais estavam de olho por um tempo, Jorge falou que cuidaria de Eduardo enquanto eles estivessem fora.
- Foi mal cara. Eu queria te falar, mas você não acreditaria - Eduardo ficou quieto. A única maneira com que expressava algo era o levantar e baixar do copo - Eu fui falar com ela ontem, quando vi ela aqui. Fiquei bem surpreso, bem surpreso mesmo! E cara, eu falei para ela, falei tudo sobre você, como você é apaixonado por ela e tudo mais, que ela precisava dizer para você que não te ama, assim você poderia ficar mais sussegado e esquecer ela.
- E ai? - Havia certo brilho nos olhos de Eduardo ao ouvir as palavras do amigo. O primeiro sinal de vida que ele dava desde que descobriu a verdade das coisas.
- Bom. Eu sei que é dificil. Mas ela deu uma risada e disse que sabia de tudo, que você era claro como o dia - Eduardo levou a mão no coração. Jorge não precisava de muito para saber que a punhalada do menosprezo entrava ali. - E que ela não ia dizer nada. Que ela gostava de você, assim, atras dela.
Eduardo ia encher outra dose, mas Jorge tirou a garrafa de perto e falou prum garçom levar ela embora, mesmo a protestos de Eduardo.
- Você já bebeu muito hoje cara. Eu queria mesmo ter te dito essas coisas. Mas você não ia acreditar, ia achar que era só eu tentando te incentivar a esquecê-la. Mas é isso, essa é a verdade das coisas. Quando o André e o Marcos voltar a gente vai embora.
Ficaram ali, em silêncio, os dois. Sem mais sorrir. A risada estava morta. Em certo momento, Eduardo se levantou e foi ao banheiro. Ficou ali além do tempo da mijada, apreciando sua própria dor. Quando saiu viu que Cristina e o homem haviam acabado. Ele provavelmente já tinha enfiado e tirado a vara de dentro dela várias vezes nessa hora que ficaram juntos. A raiva de Eduardo voltou a brotar. Ele foi até a mesa, aonde Jorge esperava, pegou a grana e falou:
- Eu vou tê-la. Nem que seja por uma noite. Aquela vadia, puta, vou gozar dentro dela.
Ele foi. Irritado. Esticou as duas notas e o cheque e disse:
- Agora vai ser comigo!
- Já tenho um cliente marcado para daqui 10 minutos. Você não vai conseguir nada comigo hoje. - ela deu um sorriso para ele, enquanto acendia um cigarro.
- Pago o dobro do que você vale!
- Não.
- O triplo! Pago o triplo!
- Não.
- Puta que o pariu! Você é puta ou não é?! Vou ter pagar quatro vezes mais, mas você vai dar para mim!!!!
- Não - disse ela com um sorriso no rosto, enquanto soltava uma baforada no rosto dele.
- Você dá para todo mundo caralho! Por que você não quer dar para mim?
Ela se sentou numa mesa vazia, e apontou para a cadeira a frente. Eduardo, tremendo de raiva se sentou, e os dois ficaram se olhando.
- Para você, o preço é diferente.
- Quanto? Me diz seu valor que eu pago.
- Quero seu coração.
Eduardo ficou parado. Sem entender, confuso. Aquelas palavras quebraram qualquer expectativa que ele poderia ter.
- Quero seu coração - disse ela - Porque não cobro dinheiro de quem amo.
O coração de Eduardo palpitava, teria ele entendido certo?
- Me ama?
- Sim. Meu expediente acaba daqui uma hora, depois que eu atender aquele senhor - apontou para um velho que caminhava em direção a eles.
Eduardo a olhava confuso para ela
- Como assim?
- É só para você saber - Ela se levantou e cochichou no ouvido dele - Saber a hora que pode me acompanhar até em casa - e foi até o velho, pegou no braço dele, e o levou até o quarto.
Eduardo voltou até a mesa sem perceber que sorria. Jorge o estranhou:
- E ai cara?
Eduardo não disse nada. Ficou apreciando a alegria em seu coração. Logo, Marcos e André estavam ali, prontos para ir embora.
- Podem ir - disse Eduardo - Eu vou esperar por ela.
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Esse conto foi escrito em conjunto por Caetano e Zeh (que pensa em um final alternativo hehe)
domingo, 28 de fevereiro de 2010
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