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sábado, 19 de abril de 2014

Abraço



 C                                                                                                                                        Ɔ
            C                                                                                                                   Ɔ
                        C                                                                                            Ɔ
                                   C                                                                    Ɔ
                                               C                                             Ɔ
                                                           C                     Ɔ
                                                                     CƆ

                                                                      O

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Amor

O amor é doce
Doce ilusão decisória
Mandatória do não
Alusão
Mais nada será
Desse porvir
Mártir
Que recrimina
Alucina

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Poesia Mal-Escrita Sobre os Acontecimentos Internos dos Últimos Dias

Queria escrever poesias
Mas poesias não há
Nunca haverá enquanto na distância
Você estiver
O coração frágil suspira
Pela realidade latente
Inexistente
Percepção impossível
Ilusão,
Se vejo não é o que vejo?
O que dizer desse desejo
Que me alegra
Mas me frustra sem luz
Solidão
Queria perguntar a você, doce Tempo
O que fazer desse momento?
Anseio
E Memória, o que fazer daquele instante?
Felicidade
Morte! Por que esse preço?
Não! Não quero!
Sem eles não posso viver!
Mas com eles sofro
Agonia!
Minguo no Limbo
Sem decisão
Inferno ou Paraíso?

quinta-feira, 23 de junho de 2011

quarta-feira, 13 de abril de 2011

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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

baudelaire por galás .2

Les litanies de Satan
[As litanias de Satã]

O toi, le plus savant et le plus beau des Anges,
Dieu trahi par le sort et privé de louanges,
[Ó tu, o anjo mais belo e sabio entre seus pares,
Deus que a sorte traiu e expulsou dos altares,]

O Satan, prends pitié de ma longue misère!
[Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!]

O Prince de l’exil, à qui l’on a fait tort,
Et qui, vaincu, toujours te redresses plus fort,
[Ó Príncipe do exílio, a quem fizeram mal
E que, vencido, sempre te ergues mais trinufal,]

O Satan, prends pitié de ma longue misère!
[Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miseria!]

Toi qui sais tout, grand roi des choses souterraines,
Guérisseur familier des angoisses humaines,
[Tu que vês tudo, ó rei das trevas soberanas,
Charlatão familiar das angústias humanas,]

O Satan, prends pitié de ma longue misère!
[Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!]

Toi qui, même aux lépreux, aux parias maudits,
Enseignes par l’amour le goût du Paradis,
[Tu que, mesmo ao leproso e ao pária, se preciso,
Ensinas por amor o amor do Paraíso,]

O Satan, prends pitié de ma longue misère!
[Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!]

O toi que de la Mort, ta vieille et forte amante,
Engendras l’Esperánce, -- une folle charmante!
[Tu que da Morte, tua antiga e fiel amante,
Engendraste a Esperança – a louca fascinante!]

O Satan, prends pitié de ma longue misère!
[Tem piedade, é Satã, de minha atroz miséria!]

Toi qui dais au proscrit ce regard clame et Aut.
Qui damne tout un peuple autour d’un échafaud,
[Tu que dás ao proscrito esse alto e calmo olhar
Que leva o povo ao pé da forca a desvairar,]

O Satan, prends pitié de ma longue misère!
[Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!]

Toi qui sais en quels coins des terres envieuses
Le Dieu jaloux cacha les pierres précieuses,
[Tu que bem saber em que terras invejosas
O Deus ciumento esconde as pedras mais preciosas,]

O Satan, prends pitié de ma longue misère!
[Tem piedade, ó Satão, de minha atroz miséria!]

Toi dont l’oeil clair connâit les profonds arsenaux
Où dort enseveli le people des métaux,
[Tu cujo olhar desvela os fundos arsenais
Onde sepulto dorme o povo dos metais,]

O Satan, prends pitié de ma longue misère!
[Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!]

Toi dont la large main cache les precipices
Au somnambule errant au bord des édifices,
[Tu cuja larga mão oculta os precipícios
Ao sonâmbulo a errar no alto dos edifícios,]

O Satan, prends pitié de ma longue misère!
[Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!]

Toi qui, magiquement, assouplis les vieux os
De l’ivrogne attardé foulé par les chevaux,
[Tu que, magicamente, amacias os ossos
Do ébrio tardio que um tropel fez em destroços,]

O Satan, prends pitié de ma longue misère!
[Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!]

Toi qui, pour consoler l’homme frêle qui souffre,
Nous appris à mêler la salpêtre et le soufre,
[Tu que, para o consolo eterno de quem sofre,
Nos ensinaste a unir o salitre ao enxofre,]

O Satan, prends pitié de ma longue misère!
[Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!]

Toi qui poses ta marque, ô complice subtil,
Sur le front du Crésus impitoyable et vil,
[Tu que pões tua marca, ó cúmplice sutil,
Sobre a fronte do Creso implacável e vil,]

O Satan, prends pitié de ma longue misère!
[Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!]

Toi qui mets dans les yeux et dans le couer des filles
Le culte de la plaie et l’amour des guenilles,
[Tu que infundes no loar e na alma das donzelas
O amor aos trapos e a paixão pelas mazelas,]

O Satan, prends pitié de ma longue misère!
[Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miseria!]

Bâton des exilés, lampe des inventeurs,
Confesseur des pendus et des conspirateurs,
[Bastão do desterrado, archote do inventor,
Confessor do enforcado e do conspirador,]

O Satan, prends pitié de ma longue misère!
[Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miseria!]

Père adoptif de ceux qu’en as noire colère
Du paradis terrestre a chassés Dieu le Père,
[Pai adotivo dos que, em cólera sombria,
O Deus Padre baniu do Éden terrestre um dia,]

O Satan, prends pitié de ma longue misère!
[Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!]

PRIÉRE
[ORAÇÃO]

Gloire et louange à toi, Satan, dans les hauteurs
Du Ciel, où tu régnas, et dans les profundeurs
De l’Enfer, où, vaincu, tu rêves em silence!
Fais que mon âme um jour, sous l’Arbre de Science,
Près de toi se repose, à l’heure où sur ton front,
Comme un Temple nouveau ses rameaux s’épandront!
[Glória e louvor a ti, Satã, lá nas alturas
Do Céu, onde reinaste, e nas furnas escuras
Do Inferno, onde, vencido, sonhas silenciosos!
Sob a Árvore da Ciência, um dia, que o repouso
Minha alma encontre em ti, quando na tua testa
Seus ramos expandir qual novo Templo em festa!]

Tradução para o português realizada por Ivan Junqueira.

--

1.


2.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

baudelaire por galás

Abel et Caïn
[Abel e Caim]

I

Race d’Abel, dors, bois et mange;
Dieu te sourit complaisamment.
[Raça de Abel, frui, come e dorme,
Deus te sorri bondosamente.]

Race de Caïn, dans la fange
Rampe et meurs misérablement.
[Raça de Caim, no lodo informe
Roja-te e morre amargamente.]

Race d’Abel, ton sacrifice
Flatte le nez du Séraphin!
[Raça de Abel, teu sacrifício
Doce é ao nariz do Serafim!]

Race de Caïn, ton supplice
Aura-t-il jamais une fin?
[Raça de Caim, teu suplício
Quando afinal há de ter fim?]

Race d’Abel, vois tes semailles
Et ton bétail venir à bien;
[Raça de Abel, tuas sementes
E teus rebanhos férteis são;]

Race de Caïn, tes entrailles
Hurlent la faim comme un vieux chien.
[Raça de Caim, teus parcos dentes
Rangem de fome e privação!]

Race d’Abel, chauffe ton ventre
A ton foyer patriarchal;
[Raça de Abel, teu ventre aquece
Junto à lareira patriarcal;]

Race de Cain, dans ton antre
Tremble de froid, pauvre chacal!
[Raça de Caim, treme e padece
Em teu covil, pobre chacal!]

Race d’Abel, aime et pullule!
Ton or fait aussi des petits.
[Raça de Abel, goza e pulula!
Teu ouro é pródigo em rebentos;]

Race de Caïn, couer qui brûle,
Prends garde à ces grands appétits.
[Raça de Caim, refreia a gula,
Ó coração que arde em tormentos!]

Race d’Abel, tu croîs et broutes
Comme les punaises des bois!
[Raça de Abel, cresces e brotas
Como os insetos do arvoredo;]

Race de Caïn, sur les routes
Traîne ta famille aux abois.
[Raça de Caim, por ínvias rotas,
Arrasta os teus à infâmia e ao medo.]

II

Ah! race d’Abel, ta charogne
Engraissera le sol fumant!
[Raça de Abel, tua carcaça
Aduba o solo fumegante!]

Race de Caïn, ta besogne
N’est pas faite suffisamment;
[Raça de Caim, tua argamassa
Jamais foi sólida o bastante;]

Race d’Abel, voici ta honte:
Le fer est vaincu par l’épieu!
[Raça de Abel, eis teu fracasso:
Do ferro o chuço ganha a guerra!]

Race de Caïn, au ciel monte
Et sur la terre jette Dieu!
[Raça de Caim, sobe ao espaço
E Deus enfim deita por terra!]

Tradução para o português realizada por Ivan Junqueira.

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Diamanda Galás, Abel et Caïn, ao vivo (1997):
obs: o poema citado começa a ser interpretado a 1min e 46s.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

charles baudelaire

Le reniement de Saint Pierre
[A negação de São Pedro]

Qu’est-ce que Dieu fait donc de ce flot d’anathèmes
Qui monte tous les jours vers ses cher Séraphins?
Comme um tyran gorgé de viande et de vins,
Il s’endort au doux bruit de nos affreux blasphèmes.
[O que faz Deus dessa onda infame de heresias
Que se ergue a cada instante até seus Serafins?
Como um tirano afeito aos vinhos e aos festins,
Dorme ele ao som de nossas ímpias litanias.]

Les sanglots des martyrs et des suppliciés
Sont une symphonie enivrante sans doute,
Puisque, malgré le sang que leur volupté coûte,
Les cieux ne s’en sont point encore rassasiés!
[Os soluços dos mártires e supliciados
São qual uma cantata embriagadora e augusta,
Pois, apesar da dor que a volúpia lhes custa,
Jamais deles os céus sentiram-se saciados!]

-- Ah! Jésus souviens-toi du Jardin des Olives!
Dans ta simplicité tu priais à genoux
Celui qui dans son ciel riait au bruit des clous
Que d’ignobles bourreaux plantaient dant dans les chairs vives.
[-- Recorda-te, Jesus, no Horto das Oliveiras,
Oravas, ajoelhado e humilde, os olhos cavos,
Àquele que no céu sorria ao soar dos cravos
Que te enterravam carne adentro mãos grosseiras.]

Lorsque tu vis cracher sur ta divinité
La crapule du corps de garde et des cuisines,
Et lorsque tu sentis s’enforcer les épines
Dans ton crâne où vivait l’immense Humanité;
[Quando viste escarrar em tua divindade
A imunda corja dos soldados e meirinhos,
E sentiste afligir a ponta dos espinhos
Teu crânio onde vivia a imensa Humanidade;]

Quand de ton corps brisé la pesanteur horrible
Allongeait tes deux bras distendus, que son sang
Et sa sueur coulaient de ton front pâlissant,
Quand tu fus devant tous posé comme une cible,
[E quando teu corpo exausto o horrível peso
Os teus dois braços alongava no madeiro,
O suor e o sangue a ungir-se a fronte por inteiro,
Quando ante todos te tornaste alvo indefeso,]

Rêvais-tu de ces jours si brilliants et si beaux
Où tu vins pour remplir l’éternelle promesse,
Où tu foulais, monte sur une doute ânesse,
Des chemins tout jonchés de fluers et de rameaux,
[Pensavas tu nos dias cheios de esplendores
Em que surgias anunciando o reino eterno
E percorrias, sobre um asno fiel e terno,
Caminhos que eram só de ramos e de flores,]

Où, le coeur tout gonflé d’espoir et de vaillance,
Tu fouettais tous ces vils marchands à tour de bras,
Où tu fus maître enfin? Le remords n’a-t-il pás
Pénétré dans ton flanc plus avant que la lance?
[Em que, a alma pródiga de audácia e de esperança,
Aos vendilhões do templo açoitavas o dorso,
Em que tu foste o mestre enfim? Dize: o remorso
Teu flanco não rasgou mais fundo do que a lança?]

-- Certes, je sortirai, quant à moi, satisfait
D’un monde où l’action n’est pás la soeur du revé;
Puissé-je user du glaive et périr par le glaive!
Saint Pierre a renié Jesus… il a bien fait!
[-- Quanto a mim, isto é certo, eu saio satisfeito
Deste mundo onde o sonho e a ação vivem a sós;
Possa eu usar a espada e a espada ser-me o algoz!
São Pedro renegou Jesus... Pois foi bem-feito!]



Obs: a tradução para o português é de Ivan Junqueira.