Queria escrever poesias Mas poesias não há Nunca haverá enquanto na distância Você estiver O coração frágil suspira Pela realidade latente Inexistente Percepção impossível Ilusão, Se vejo não é o que vejo? O que dizer desse desejo Que me alegra Mas me frustra sem luz Solidão Queria perguntar a você, doce Tempo O que fazer desse momento? Anseio E Memória, o que fazer daquele instante? Felicidade Morte! Por que esse preço? Não! Não quero! Sem eles não posso viver! Mas com eles sofro Agonia! Minguo no Limbo Sem decisão Inferno ou Paraíso?
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O toi, le plus savant et le plus beau des Anges, Dieu trahi par le sort et privé de louanges, [Ó tu, o anjo mais belo e sabio entre seus pares, Deus que a sorte traiu e expulsou dos altares,]
O Satan, prends pitié de ma longue misère! [Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!]
O Prince de l’exil, à qui l’on a fait tort, Et qui, vaincu, toujours te redresses plus fort, [Ó Príncipe do exílio, a quem fizeram mal E que, vencido, sempre te ergues mais trinufal,]
O Satan, prends pitié de ma longue misère! [Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miseria!]
Toi qui sais tout, grand roi des choses souterraines, Guérisseur familier des angoisses humaines, [Tu que vês tudo, ó rei das trevas soberanas, Charlatão familiar das angústias humanas,]
O Satan, prends pitié de ma longue misère! [Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!]
Toi qui, même aux lépreux, aux parias maudits, Enseignes par l’amour le goût du Paradis, [Tu que, mesmo ao leproso e ao pária, se preciso, Ensinas por amor o amor do Paraíso,]
O Satan, prends pitié de ma longue misère! [Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!]
O toi que de la Mort, ta vieille et forte amante, Engendras l’Esperánce, -- une folle charmante! [Tu que da Morte, tua antiga e fiel amante, Engendraste a Esperança – a louca fascinante!]
O Satan, prends pitié de ma longue misère! [Tem piedade, é Satã, de minha atroz miséria!]
Toi qui dais au proscrit ce regard clame et Aut. Qui damne tout un peuple autour d’un échafaud, [Tu que dás ao proscrito esse alto e calmo olhar Que leva o povo ao pé da forca a desvairar,]
O Satan, prends pitié de ma longue misère! [Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!]
Toi qui sais en quels coins des terres envieuses Le Dieu jaloux cacha les pierres précieuses, [Tu que bem saber em que terras invejosas O Deus ciumento esconde as pedras mais preciosas,]
O Satan, prends pitié de ma longue misère! [Tem piedade, ó Satão, de minha atroz miséria!]
Toi dont l’oeil clair connâit les profonds arsenaux Où dort enseveli le people des métaux, [Tu cujo olhar desvela os fundos arsenais Onde sepulto dorme o povo dos metais,]
O Satan, prends pitié de ma longue misère! [Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!]
Toi dont la large main cache les precipices Au somnambule errant au bord des édifices, [Tu cuja larga mão oculta os precipícios Ao sonâmbulo a errar no alto dos edifícios,]
O Satan, prends pitié de ma longue misère! [Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!]
Toi qui, magiquement, assouplis les vieux os De l’ivrogne attardé foulé par les chevaux, [Tu que, magicamente, amacias os ossos Do ébrio tardio que um tropel fez em destroços,]
O Satan, prends pitié de ma longue misère! [Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!]
Toi qui, pour consoler l’homme frêle qui souffre, Nous appris à mêler la salpêtre et le soufre, [Tu que, para o consolo eterno de quem sofre, Nos ensinaste a unir o salitre ao enxofre,]
O Satan, prends pitié de ma longue misère! [Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!]
Toi qui poses ta marque, ô complice subtil, Sur le front du Crésus impitoyable et vil, [Tu que pões tua marca, ó cúmplice sutil, Sobre a fronte do Creso implacável e vil,]
O Satan, prends pitié de ma longue misère! [Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!]
Toi qui mets dans les yeux et dans le couer des filles Le culte de la plaie et l’amour des guenilles, [Tu que infundes no loar e na alma das donzelas O amor aos trapos e a paixão pelas mazelas,]
O Satan, prends pitié de ma longue misère! [Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miseria!]
Bâton des exilés, lampe des inventeurs, Confesseur des pendus et des conspirateurs, [Bastão do desterrado, archote do inventor, Confessor do enforcado e do conspirador,]
O Satan, prends pitié de ma longue misère! [Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miseria!]
Père adoptif de ceux qu’en as noire colère Du paradis terrestre a chassés Dieu le Père, [Pai adotivo dos que, em cólera sombria, O Deus Padre baniu do Éden terrestre um dia,]
O Satan, prends pitié de ma longue misère! [Tem piedade, ó Satã, de minha atroz miséria!]
PRIÉRE [ORAÇÃO]
Gloire et louange à toi, Satan, dans les hauteurs Du Ciel, où tu régnas, et dans les profundeurs De l’Enfer, où, vaincu, tu rêves em silence! Fais que mon âme um jour, sous l’Arbre de Science, Près de toi se repose, à l’heure où sur ton front, Comme un Temple nouveau ses rameaux s’épandront! [Glória e louvor a ti, Satã, lá nas alturas Do Céu, onde reinaste, e nas furnas escuras Do Inferno, onde, vencido, sonhas silenciosos! Sob a Árvore da Ciência, um dia, que o repouso Minha alma encontre em ti, quando na tua testa Seus ramos expandir qual novo Templo em festa!]
Tradução para o português realizada por Ivan Junqueira.
Le reniement de Saint Pierre [A negação de São Pedro]
Qu’est-ce que Dieu fait donc de ce flot d’anathèmes Qui monte tous les jours vers ses cher Séraphins? Comme um tyran gorgé de viande et de vins, Il s’endort au doux bruit de nos affreux blasphèmes. [O que faz Deus dessa onda infame de heresias Que se ergue a cada instante até seus Serafins? Como um tirano afeito aos vinhos e aos festins, Dorme ele ao som de nossas ímpias litanias.]
Les sanglots des martyrs et des suppliciés Sont une symphonie enivrante sans doute, Puisque, malgré le sang que leur volupté coûte, Les cieux ne s’en sont point encore rassasiés! [Os soluços dos mártires e supliciados São qual uma cantata embriagadora e augusta, Pois, apesar da dor que a volúpia lhes custa, Jamais deles os céus sentiram-se saciados!]
-- Ah! Jésus souviens-toi du Jardin des Olives! Dans ta simplicité tu priais à genoux Celui qui dans son ciel riait au bruit des clous Que d’ignobles bourreaux plantaient dant dans les chairs vives. [-- Recorda-te, Jesus, no Horto das Oliveiras, Oravas, ajoelhado e humilde, os olhos cavos, Àquele que no céu sorria ao soar dos cravos Que te enterravam carne adentro mãos grosseiras.]
Lorsque tu vis cracher sur ta divinité La crapule du corps de garde et des cuisines, Et lorsque tu sentis s’enforcer les épines Dans ton crâne où vivait l’immense Humanité; [Quando viste escarrar em tua divindade A imunda corja dos soldados e meirinhos, E sentiste afligir a ponta dos espinhos Teu crânio onde vivia a imensa Humanidade;]
Quand de ton corps brisé la pesanteur horrible Allongeait tes deux bras distendus, que son sang Et sa sueur coulaient de ton front pâlissant, Quand tu fus devant tous posé comme une cible, [E quando teu corpo exausto o horrível peso Os teus dois braços alongava no madeiro, O suor e o sangue a ungir-se a fronte por inteiro, Quando ante todos te tornaste alvo indefeso,]
Rêvais-tu de ces jours si brilliants et si beaux Où tu vins pour remplir l’éternelle promesse, Où tu foulais, monte sur une doute ânesse, Des chemins tout jonchés de fluers et de rameaux, [Pensavas tu nos dias cheios de esplendores Em que surgias anunciando o reino eterno E percorrias, sobre um asno fiel e terno, Caminhos que eram só de ramos e de flores,]
Où, le coeur tout gonflé d’espoir et de vaillance, Tu fouettais tous ces vils marchands à tour de bras, Où tu fus maître enfin? Le remords n’a-t-il pás Pénétré dans ton flanc plus avant que la lance? [Em que, a alma pródiga de audácia e de esperança, Aos vendilhões do templo açoitavas o dorso, Em que tu foste o mestre enfim? Dize: o remorso Teu flanco não rasgou mais fundo do que a lança?]
-- Certes, je sortirai, quant à moi, satisfait D’un monde où l’action n’est pás la soeur du revé; Puissé-je user du glaive et périr par le glaive! Saint Pierre a renié Jesus… il a bien fait! [-- Quanto a mim, isto é certo, eu saio satisfeito Deste mundo onde o sonho e a ação vivem a sós; Possa eu usar a espada e a espada ser-me o algoz! São Pedro renegou Jesus... Pois foi bem-feito!]
Obs: a tradução para o português é de Ivan Junqueira.