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sexta-feira, 14 de outubro de 2011

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

resenha

Mano Negra / Pas assez de toi // Álbum: Puta's fever [1989]

A Mão Negra passa por um suposto grupo anarquista ativo em Espanha no final do séxulo XIX, suposto responsável pelo assassinato de algumas pessoas e punido com a certa morte dos acusados de compor tal associação. A Mão Negra passa por um grupo de nacionalistas sérvios no início do século XX, com ligações supostamente diretas com o assassinato de Ferdinandinho, também conhecido como Franz Ferdinand (não o grupo musical), e, consequentemente, com o deflagar da primeira guerra mundial. A Mão Negra mais uma vez ressurge como um dos primeiros projetos musicais de Manu Chao, talvez uma relação intencional com um dos precursores acima citados, certamente uma manifestação irredutível à uma mera referência.
Possivelmente a Mão Negra sobreviverá aos homens e passará adiante suas incógnitas relações com o homicídio, o desastre, a desolação, o fanatismo, a pilhéria (mesmo que de mau gosto) e, por que não?, com a liberdade de existir sem a necessidade de sujeitos. Um grande legado ao vazio, alegre em paisagens desertas, com muitas memórias insignificantes de momentos grandiosos dissipadas no bafo quente de uma tarde no litoral em que os siris não ousam abandonar seus buracos.


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

resenha

The Pentangle / Travelling song // Álbum: Sweet Child [1968]

Reflexos rápidos, a luz solar dançava onda-partícula com o passar dos veículos incessantes, apressados, ocupados, pela rodovia em direção aos confins de qualquer que fosse o objetivo ou a fuga, também objetiva, dos dispersos homens mulheres crianças animaizinhos. Alguns sorriam, o braço para fora, acenavam, talvez provocativos afirmando o sucesso aparente de sua pacata existência a noventa e três quilômetros por hora até a cidade mais próxima. Campinas, Rio de Janeiro, Manaus, Curitiba. Pouco importava. Impassível, por enquanto incólume, José, João ou Pedro continuava pé ante pé pé após pé em sua marcha com a única preocupação de sobreviver mais um dia não importando nem um pouco qual o destino para o qual rumava. Leste, Oeste, Norte, Sul, Esquerda, Direita, Desvio, Paradas, Maria, Renata ou Isabel pensava com vagar, ruminava suas ideias, poucas, é verdade, porém mais bem definidas e coerentes do que a maioria das lúcidas teses ou desenvolvimentos de intelectuais ou de técnicos, todos bem acomodados em suas confortáveis residências e em seus ainda mais confortáveis raciocínios.
E a certeza de chegar, pensava José, João ou Pedro, Maria, Renata ou Isabel, completada pela inevitabilidade de sair novamente é um alento. E conseguir algo para sustentar as pernas durante a caminhada, pensava José, João ou Pedro, Maria, Ranata ou Isabel, e deixar para trás outra paragem passageira é também um alento. E algum dia, pensava José, João ou Pedro, Maria, Renata ou Isabel, desaparecer sem deixar rastros, nem ao menos uma mínima memória, um retorno ao pó ausente de transcendências e esvaziado de expectativas, é a merecida recompensa.



sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

resenha

1. Falcão / A besteira é a base da sabedoria // Álbum: A besteira é a base da sabedoria [1995]
2. Deathspell Omega / A chore for the lost //Álbum: Fas - Ite, Maledicti, in Ignem Aeternum [2007]
3. The Pogues / Waxie's Dargle // Álbum: Red roses for me [1984]

1. O não-dito pelas frestas: imenso acúmulo de retalhos, subterrâneos de todas as bobagens articuladas no curso de uma existência qualquer, alimenta e dissemina a vontade de persistir em acasos e recorrências de comunicação, como se preencher o necessário silêncio reconfortasse a situação de estar-no-mundo. Não uma defesa da incomunicabilidade total, apenas o jogo com palavras imbecis até o auto-convencimento da desnecessariedade de "ter algo a dizer".

2. E foi dito: aonde houver, inexista. "Desejava saber, dizia ele, o que era aquele bem sem o qual minha vida - que ele tanto apreciava - não me parecia vida, mas tormento." Mostre-se em mosaicos pelo solo, terra seca estéril, advento do já-passado, o antes tornado momento sem perspectiva. "Resgata-me da dispersão em que me dissipei quando, afastando-me de tua unidade, me desvaneci em muitas coisas." Erigido, finalmente, além dos sentidos.

3. A mesa parecia balançar, via mais pessoas ao redor do que as capacidades físicas do espaço para comportá-las, o copo: cheio, vazio, cheio, foi-se o copo, apareceu a garrafa. Agora, dentes a menos, sereno, meio-fio e a convicção em encontrar ainda mais um bar aberto antes do amanhecer.

1.

"Talvez seja melhor calar,
porque falando é meio caminho andado.
Por outro lado, eu fiz um estudo
e sei que é melhor falar besteira do que ser mudo.
E sendo eu um grande entendido no assunto,
eu paro e vejo como tem gente besta no mundo.
E sinto quão sábia é a vaca,
que segue cagando e andando pra não fazer ruma.
Mas eu posso ver mais longe,
sobre a cabeça do povo.
Mamãe diz que eu sou um pão
e o que vale é a intenção."

2.

"An exhausted fall into disgrace, famished for peace, for a mere moment of respite in dying eternities, on the verge of being deprived of all humanity: non-sense is the outcome of every possible sense, it is the start of transcendence, the dissolution that spreads without limits and the critical violation; what pleasure of inconceivable purity there is in being an object of abhorrence for the sole being to whom destiny links my life! The rupture is too profound to stand up, nothing remains but a terrified consolation in a laughable renunciation that is not the one of a single man, thou art not dead to the devoration of sin.

Every human being not going to the extreme limit is the servant or the enemy of man and the accomplice of a nameless obscenity.

Let us be a blight on the orchard, on all orchards of this world, even the least of these words will be judged during the times of reckoning, bearing a latent damnation, a feverish seduction exasperated in death, every letter is a code to extreme horror, utter contempt and divine conflict; it is a lethal to speak the language of resistance, every gasp exhales a particle of the
remission of Golgotha, as if the blazing Logos demanded the exercise of the fragile power just above the annihilation, the one of a harmony in ruins; it is a task for a man who cannot bear any longer to be, a chore for the lost in the denial of free will: perinde ac cadaver.

Le vent de la Vérité a répondu comme une gifle à la joue tendue de la piété.

God of terror, very low dost thou bring us, very low hast thou brought us..."

3.
ou: http://www.youtube.com/watch?v=jAufzEH0ZMY&feature=related

"Says my aul' wan to your aul' wan
'Will ye go to the Waxies dargle?'
Says your aul' wan to my aul' wan,
'I haven't got a farthing.
I went up to Monto town
To see Uncle McArdle
But he wouldn't give me a half a crown
For to go to the Waxies dargle.'

What will ya have?!
I'll have a pint!
I'll have a pint with you, Sir!
And if one of ya' doesn't order soon
We'll be chucked out of the boozer!

Says my aul' wan to your aul' wan
'Will ye go to the Galway races?'
Says your aul' wan to my aul' wan,
'I'll hock me aul' man's braces.
I went up to Capel Street
To the Jewish moneylenders
But he wouldn't give me a couple of bob
For the aul' man's red suspenders.'

Says my aul' wan to your aul' wan
'We got no beef or mutton
If we went up to Monto town
We'd get a drink for nuttin''
Here's a nice piece of advice
I got from an aul' fishmonger:
'When food is scarce and you see the hearse
You'll know you have died of hunger.'"

domingo, 21 de novembro de 2010

resenha

1. Peter Brötzmann Octet / Machine Gun (Second Take) // Álbum: Machine Gun [1968]

1. -- Calma lá! Há um pouco mais de incompreensão entre nós do que o necessário, deixe-me explicar algumas coisas.
-- Acho que já ouvi o suficiente.
-- Mas, ao menos, preste atenção agora... – e cortou-me no meio da frase. Seu juízo dava-lhe, supunha, segurança para todos os argumentos de autoridade imagináveis. Sorte minha a debilidade de sua imaginação. Mesmo assim aproveitava, com redundâncias, as parcas elaborações que lhe vinham em turbilhão língua afora. Bem poderia eu ter apenas saído de mansinho, rabo entre as pernas, servil, um comportamento exemplar, porém não, resolvo meter os pés pelas mãos, quero elucidar para mim mesmo o quanto estou correto e todos os outros estão errados, ou, no mínimo, potencialmente equivocados até que eu tenha uma opinião sobre seus pensamentos e ações. Lembro-me: a unha do dedinho incomodando, sapato do pé esquerdo justo demais, desgraça, talvez encrave, ou, quem sabe, perco a unha, inútil. De repente, percebo um silêncio e retorno minha atenção para o momento: está a encarar-me, espera minha resposta para sei lá o que de tão grave precisava exortar em minha moral, presumo. Fecho um pouco o olho esquerdo, tamborilo a mão direita no queixo, disfarço refletir, e comento:
-- Sabe... Peço arrego.
Viro as costas e bateria a porta, caso houvesse.



Obs: o vídeo não apresenta a música completa...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

resenha

1. Swans / Blackout // Álbum: Filth [1983]
2. Swans / Thank you // Álbum: Filth [1983]

1. Todos os móveis na rua, quarto vazio, busco uma cadeira, resta aproveitar o que resta. As paredes, após fechada a porta, compõem um ambiente propício. Para quê? Melhor não raciocinar, aliás, isso não é uma virtude. A cadeira passa a ser um excesso, arremesso-a para os quatro cantos até cansar-me. Tonto. Tonto. Encosto e, lentamente, escorrego. A cadeira retorcida no outro canto. Inspiro, expiro. Inspiro, deito, espero.

2. Em um dia qualquer, alguma hora qualquer, decido tornar-me grato pela totalidade das coisas, sejam pessoas, animais, objetos, misturas desses elementos ou todos englobados em uma unidade inseparável e não presumível, vislumbrada apenas em raros momentos de lucidez infantil. Concentro todas as energias possíveis no intuito sincero de ser violentado, e aguardo. [...] No chão, aguço os sentidos e deixo estar.

1 -


“Get drunk
Get drunk
Breathe in
Breathe in
Hold it in
Hold it in
Don’t breathe
Don’t breathe
Blackout
Blackout
Blackout
Blackout
Blackout
Don’t talk until you’re spoken to
Don’t talk until you’re spoken to
Don’t breathe
Don’t breathe
Blackout
Blackout
Blackout
Blackout
Blackout
…”


2 -


“Talk to me
Tell me the truth
This smells sour
Burn my face


This smells sour
Burn me now


Burn my face
This smells sour
Burn me now”

segunda-feira, 12 de abril de 2010

resenha

Resenha? Uma coisa bem estruturada e com pretensões de crítica abalizada? Não. Falarei sobre música (algum álbum de alguma banda/intérprete) sem preocupar-me em categorizar, classificar ou julgar estilos. Interpreto as letras, falo o que quero sobre elas, inclusive coisas que elas não dizem. Incongruências, em suma, com o título de resenha. "Que bonito!" diria alguma tia, sem entender.

Por hoje, o álbum "Atomizer" da banda Big Black.

1. Jordan Minnesota. Pedofilia. Cidade americana de interior, bom lugar para uma moral conservadora, porém, a presença de alguns pais de família que gostavam de bolinar com filhas e filhos de outrem (ou com os próprios) antes delas(es) passarem dos dezoito anos ("stay with me, my five year old") causa um certo mal-estar. "This will stay with you until you die, and I will stay with you until you die, suck daddy, suck daddy, suck daddy". Excesso de "moralismo", ruptura da "moral": ambos, juntos, traumatizando a existência de pimpolhos.


2. Passing complexion. Homem negro casado com mulher branca. Sociedade com divisões ocasionadas pelo preconceito racial camufladas com pretensos apelos de tolerância e compreensão mútua. O homem negro sente-se constrangido em sua posição, ainda mais por frequentar os ambientes conhecidos de sua mulher, ambientes de indivíduos brancos. A mulher aceita-o, os amigos/familiares dela podem ter restrições contra ele; o marido passa a ter restrições contra sua própria condição [referência interessante: Frantz Fanon, Pele negra, máscaras brancas]. "He had what they call passing complexion, he'd been white, he'd been black".


3. Big money. Ah, a sociedade das trocas individuais e da "livre" competição. "Got a nightstick, got a gun, got time and a half, got hazard pay, just to fuck with you. We just want, we just need, we just want, we just need big money". A competição é desigual desde o início, pois, atualmente, é calcada dentro das relações de produção; a miséria impera para muitos, em vários níveis, podendo levar desde à morte por inanição até uma vida inteira trabalhando, pelo menos, oito horas por dia por um salário de fome para sustentar uma possível família. Fórmula sintética: uns mais, outros [muito] menos.


4. Kerosene. Tédio, vontade de morte e querosene. Nada melhor do que incendiar a própria casa enquanto você ainda está dentro dela. "Sit around at home, stare at the walls, stare at each other and wait till we die. [...] Kerosene around, something to do".


5. Bad Houses. Crise de consciência. Um homem-bom com um vício: frequenta prostíbulos com regularidade. Auto-afirma que não vai, mas vai. Gosta, mas não assume que gosta. Não tem impotência sexual, tem impotência sobre si mesmo. "I hate myself for my weakness. My past sickens me". Constrange-se com seu passado e não consegue agir livremente no seu presente.

6. Fists of love. Violência doméstica. Ou violência sexual. Não há muita explicitação sobre qual é a situação. Apenas mão, punho e braço e outra pessoa. Um utiliza o membro, o outro sentirá, talvez sem gostar, talvez até morrer.

7. Stinking drunk. Hmmm, alcoolismo. Após parar de beber por algum tempo, retorna-se ao ofício. Em tempo integral. Apenas álcool e nada mais. "Forgot what it's like: like fighting, like sex, like taking a bang? Think it's time... got stinking drunk". Fazer isso até o fim e apagar o mundo.


8. Bazooka Joe. Joe voltou. Um personagem de quadrinhos? Um jovem solitário? Há lugar para alguém nesse mundo? Talvez apenas na imaginação, ou na ideologia.

9. Strange Things. hey hey hey. Bom grunhir de vez em quando.

10. Cables. Sei lá. Cansei.