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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Baxandall - Olhar de Época

42/43 "[...] Boa parte daquilo que chamamos de 'gostos' consiste na correspondência entre as operações de análise que requer uma pintura e a capacidade analítica de observador. Dá prazer exercitarmos nossa habilidade, e sobretudo nos divertimos em usar essas mesmas capacidade que na vida diária empregamos muito seriamente."

48 "Para resumir: alguns dos instrumentos mentais através dos quais o homem organiza a sua experiência visual é variável, e boa parte desses instrumentos depende da cultura, no sentido de que eles são determinados pela sociedade, que exerce sua influência sobre a experiência individual. Entre essas variáveis existem as categorias por meio das quais o homem classifica seus estímulos visuais, o conhecimento que atingirá para integrar o resultado de sua percepção imediata, e a atitude que assumirá diante do tipo de objeto artificial que a ele se apresenta. O observador deve utilizar na fruição de uma pintura as capacidades visuais de que dispõe, e dado que, dentre essas, pouquíssimas são normalmente específicas à pintura, ele é levado a usar as capacidades que sua sociedade mais valoriza. O pintor é sensível a tudo isso e deve se apoiar na capacidade visual de seu público. Quaisquer que sejam seus talentos profissionais de especialista, ele mesmo faz parte dessa sociedade para a qual trabalha, e compartilha sua experiência e hábitos visuais."

56 "[...] Freqüentemente as melhores pinturas exprimem sua cultura não só diretamente mas também de modo complementar, pois é enquanto complemento da cultura que melhor se prestam a satisfazer as necessidades do público, que não necessita daquilo que já tem."

- Baxandall, Michael. O Olhar Renascente: Pintura e Experiência Social na Itália da Renascença, editora Paz e Terra, SP, 1991

domingo, 5 de junho de 2011

Consideração Sobre o Primeiro Problema da Observação

Bleh.

Pensando um pouco sobre o assunto, devido a conversa com algumas pessoas por aí sobre meu Primeiro Problema da Observação (http://intelectuaistransgenicossatanicos.blogspot.com/2011/05/primeiro-problema-da-observacao.html), principalmente com o Zé (desse Blog) talvez. Bom, em grande parte, esse post é escrito baseado na última conversa que tive com ele. E minha questão é tentar deixar mais claras minhas idéias no post mencionado acima. Bom, iniciemos esse processo doloroso:

Bom. O Primeiro Problema da Observação é ver o objeto pelo o que ele é. Mas, isso não implica em falar numa visão objetiva, mesmo porque, eu não acredito nisso. Toda visão, a partir do momento que é realizada por um indivíduo, e ela só pode ser gerada por um sujeito, é subjetiva. Ou seja, o problema da observação é tentar compreender como essas características subjetivas se manifestam. Não para eliminá-las, mas para poder ter, em certa medida, uma maior liberdade. Não é possível separar o Observar do Sentir, essas duas ações se manifestam em conjunto. Quando olhamos, temos nossos sentimentos presentes, temos toda a situação do momento, temos influências várias. Tudo se conectando com nossa visão, e fazendo-nos ter uma impressão do objeto que olhamos. O Observar implica em tentarmos reconhecer esses sentimentos envolvido, essa situação, essas influências, esse é um primeiro passo para termos uma visão mais apurada. Uma visão que permita com que tenhamos uma maior capacidade de ação. Mas nunca eliminar a subjetividade ou buscar a objetividade. Mesmo porque, o real só existe enquanto percepção. E toda percepção tem um individuo na origem.

É complicado. Não sei se o que digo faz sentido nem para mim. Ainda preciso deixar essas idéias sedimentarem um pouco. Enquanto isso posto-as no ITS para não esquecer.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Primeiro Problema da Observação

Bom, esses dias eu estava com duas idéias sobre observação. Uma delas eu esqueci, a outra lembro mais ou menos. Escreverei sobre essa. Mas como a empolgação já passou, provavelmente será uma sombra pálida daquele momento de inspiração hehe.

O primeiro problema da observação é o condicionamento que temos em nossa mente anterior ao nosso contato com o objeto. Ele vem da nossa própria vivência no mundo e cria moldes em nosso pensar, maneiras como vemos as coisas, as compreendemos e interagimos com elas, que ignoram a sua individualidade. Em outras palavras, criamos em nossas cabeças, formas que simplificam o real, e de certa maneira o destróem, o reduzem. Mas, mais complicado do que isso, é nos tornar cegos ao que realmente está na nossa frente. Paramos de ver o objeto, para ver a imagem do objeto que temos projetada em nossa imaginação, perdemos a capacidade de compreendê-lo por si.

Entrando numa questão mais específica, que é a questão do desenho. Quando olhamos para algo que desejamos desenhar, algo real, não necessariamente olhamos para aquilo realmente a nossa frente. Corremos o risco de pensá-lo em esquemas que antecedem a experiência. Esse é um dos riscos de se fazer um esboço esquemático antes da linha final, ver um objeto imaginário na nossa cabeça, um objeto que já aprendemos a desenhar em outras situações passadas, e não o objeto presente. Lógico que, é dificil criticar não se fazer um esboço esquemático antes, porque ele é o melhor método para calcular o espaço do desenho antes da versão definitiva. Mas há a possibilidade, de fazermos algo que não corresponde ao objeto.

Saindo da questão do desenho, podemos pensar como isso afeta também nossa vida nos relacionamentos com outras pessoas. As vezes, simplesmente não vemos a pessoa real a nossa frente, apenas vemos uma sombra, encoberta pela imagem que temos na nossa mente dela. Uma imagem que implica em aceitações, negações e expectativas. Então, pensemos em duas pessoas, como amigos as cobranças de um para outro são diferentes, por exemplo, de quando elas são namorados. É interessante pensar, que, nesse caso, cada uma delas tem uma idéia de amor, uma idéia de namoro, uma idéia da situação que é diferente. Essas idéias podem ser mais ou menos compatíveis, mas acho impossível serem iguais, porque cada pessoa terá uma percepção diferente, resultado de suas experiências pessoais. E ter essa percepção diferente, implica em ignorar o outro em favor do papel que você acredita, inconsciente ou conscientemente, que ele deve desempenhar. Assim, é possível se tornar cego a algumas características do outro que o definem ou algumas características chegam a ser vistas, mas como defeitos, que não são aceitáveis e por isso tem que ser mudados em favor de uma imagem que essa pessoa tem só em sua cabeça. É o que ela vê, mas ela não vê a pessoa real, ela fica cada vez mais diluída, mais fragmentada, mais destruída, para se encaixar dentro dos moldes na mente do outro. No caso eu só tratei essa questão do observar dentro da relação amorosa, mas com certeza é possível extender as várias outras interações, embora não farei isso aqui, porque seria muito exaustivo.

Então, essa é minha idéia sobre o primeiro problema da observação. Ver o objeto pelo o que ele é, não pela imagem que temos dele em nossa mente.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Argan - Arte, Moda

199 "... a alta burguesia possui os arquétipos, trabalhados por artistas e artesãos qualificados em materiais nobres; a média e pequena burguesia consomem produtos do mesmo tipo, mas banalizados pelos processos repetitivos da produção industrial e pela qualidade inferior dos materiais. Apresenta-se como estilo 'moderno', isto é, de 'moda'. Como a indústria acelera o tempo da produção, é preciso acelerar o tempo do consumo e da substituição. A moda é o fator psicológico que desperta o interesse por um novo tipo de produto e a decadência do velho."

202 "[...] É fácil observar, porém, que, no desenvolvimento hitórico do Art Noveau, o elemento ornamental perde progressivamente o caráter de um acréscimo sobreposto à conformação funcional ou instrumental do objeto (tectônica), inclinando-se a adequar o próprio objeto como ornamento e assim se transformando de superestrutura em estrutura. A funcionalidade (o útil) se identifica com o ornamento (o belo), porque a sociedade tende a se reconhecer em seus próprios instrumentos."

Argan, Giulio Carlo. A Arte Moderna, Companhia das Letras, SP, 1992