sábado, 19 de abril de 2014

Abraço



 C                                                                                                                                        Ɔ
            C                                                                                                                   Ɔ
                        C                                                                                            Ɔ
                                   C                                                                    Ɔ
                                               C                                             Ɔ
                                                           C                     Ɔ
                                                                     CƆ

                                                                      O

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

c. g. jung



JUNG, Carl Gustav. Chegando ao inconsciente. In: JUNG, Carl Gustav (et al.). O homem e seus símbolos [1964]. 2ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008, p. 128-131.

Curando a dissociação

Nosso intelecto criou um novo mundo que domina a natureza e ainda a povoou de máquinas monstruosas. Essas máquinas são tão incontestavelmente úteis que nem podemos imaginar a possibilidade de nos descartarmos delas e de escapar à subserviência a que nos obrigam. O homem não resiste às solicitações aventurosas de sua mente científica e inventiva, nem cessa de se parabenizar pelas suas esplêndidas conquistas. Ao mesmo tempo, sua genialidade revela uma misteriosa tendência a inventar coisas cada vez mais perigosas, que representam instrumentos cada vez mais eficazes de suicídio coletivo.

Em vista da crescente e súbita avalanche de nascimentos, o homem já começou a buscar meios e modos de controlar a explosão demográfica. Mas a natureza pode vir a antecipar essa tarefa, voltando contra ele as suas próprias criações. A bomba de hidrogênio, por exemplo, seria um freio seguro para o aumento de população. A despeito de nossa orgulhosa pretensão de dominar a natureza, ainda somos suas vítimas, pois não aprendemos nem a nos dominar. Atraímos o desastre de maneira lenta, mas que nos parece fatal.

Já não existem deuses cuja ajuda podemos invocar. As grandes religiões padecem de uma crescente anemia, pois as divindades prestimosas já fugiram dos bosques, dos rios, das montanhas e dos animais, e os homens-deuses desapareceram no mais profundo do nosso inconsciente. Iludimo-nos julgando que lá no inconsciente levam uma vida humilhante entre as relíquias do nosso passado. Nossas vidas são agora dominadas por uma deusa, a Razão, que é a nossa ilusão maior e mais trágica. É com a ajuda dela que acreditamos ter “conquistado a natureza”.

Essa expressão é um simples slogan, pois essa pretensa conquista nos oprime com o fenômeno natural da superpopulação e ainda acrescenta aos nossos problemas uma total incapacidade psicológica de realizarmos os acordos políticos que se fazem necessários. Continuamos a achar natural que homens briguem e lutem com o objetivo de afirmar cada um a sua superioridade sobre o outro. Como pensar, então, em “conquista da natureza”.

Como toda mudança deve, forçosamente, começar em alguma parte, será o indivíduo isoladamente que terá de tentar e experimentar levá-la adiante. Essa mudança só pode principiar, realmente, em um só indivíduo, que poderá ser qualquer um de nós. Ninguém tem o direito de ficar olhando à sua volta, à espera de que alguma outra pessoa faça aquilo que ele mesmo não está disposto a fazer.

Mas como ninguém parece saber o que fazer, talvez valha a pena que cada um de nós se pergunte se, por acaso, o seu inconsciente conhece alguma coisa que possa ser útil a todos nós. A mente consciente, decididamente, parece incapaz de nos ajudar. O homem hoje dá-se conta dolorosamente de que nem as suas grandes religiões nem as suas várias filosofias parecem capazes de lhe fornecer aquelas idéias enérgicas e dinâmicas que lhe dariam a segurança necessária para enfrentar as atuais condições do mundo.

Sei bem o que haveriam de dizer os budistas: as coisas andariam bem se as pessoas seguissem “a nobre trilha óctupla” do Dharma (lei, doutrina) e compreendessem verdadeiramente o self (ou si mesmo). Já os cristãos afirmam que, se as pessoas tivessem fé em Deus, teríamos um mundo melhor. Os racionalistas insistem que se as pessoas fossem inteligentes e ponderadas, todos os nossos problemas seriam controlados. A verdadeira dificuldade é que nenhum desses pensamentos trata de resolver os problemas pessoalmente.

Os cristãos muitas vezes perguntam por que Deus não se dirige a eles, como se acredita que fazia em tempos passados. Quando ouço esse tipo de questionamento lembro-me sempre do rabi a quem perguntaram por que ninguém mais hoje em dia vê Deus, quando no passado Ele aparecia às pessoas com tanta freqüência. Resposta do rabi: “É que hoje em dia já não mais existe gente capaz de curvar-se o bastante”.

Resposta absolutamente certa. Estamos tão fascinados e envolvidos por nossa consciência subjetiva que nos esquecemos do fato milenar de que Deus nos fala sobretudo através de sonhos e visões. O budista despreza o mundo das fantasias inconscientes considerando-as ilusões inúteis; o cristão coloca sua Igreja e sua Bíblia entre ele próprio e seu inconsciente; e o racionalista ainda nem admite que sua consciência não é o total de sua psique. Esse tipo de ignorância continua a existir apesar de o inconsciente ser, há mais de setenta anos, um conceito científico básico e indispensável a qualquer investigação psicológica séria.

Não podemos mais nos permitir uma atitude de “Deus Todo-Poderoso”, elegendo-nos juízes dos méritos ou das desvantagens dos fenômenos naturais. Não baseamos nossos conhecimentos de botânica na ultrapassada classificação de plantas úteis e inúteis, ou os de zoologia na ingênua distinção entre animais inofensivos e perigosos. Mas, complacentemente, continuamos a admitir que consciência é razão e inconsciência é contra-senso. Em qualquer outra ciência tal critério faria rir, tal a sua improcedência. Os micróbios, por exemplo, são razoáveis ou absurdos?

Seja o que for o inconsciente, sabe-se que é um fenômeno natural que produz símbolos provadamente relevantes. Não podemos esperar que alguém que nunca tenha olhado através de um microscópio seja uma autoridade em micróbios. Do mesmo modo, quem não fez um estudo sério a respeito dos símbolos naturais não pode ser considerado juiz competente do assunto. Mas a depreciação geral da alma humana é de tal extensão que nem as grandes religiões, nem as várias filosofias, nem o racionalismo científico se dispõem a um estudo mais profundo.

Apesar de a Igreja Católica admitir a ocorrência dos somnia a Deo missa (sonhos enviados por Deus), a maioria dos seus pensadores não faz um esforço sério para compreender os sonhos. Duvido que exista um tratado ou uma doutrina protestante que se rebaixe a ponto de aceitar a possibilidade de a vox Dei ser percebida em algum sonho. Mas se o teólogo acredita mesmo na existência de Deus, com que autoridade pode afirmar que Deus é incapaz de nos falar por meio dos sonhos?

Passei mais de meio século investigando os símbolos naturais e cheguei à conclusão de que tanto os sonhos quanto seus símbolos não são fenômenos inconseqüentes ou desprovidos de sentido. Ao contrário, os sonhos fornecem as mais interessantes revelações a quem quiser se dar ao trabalho de entender a sua simbologia. O resultado, é bem verdade, pouco tem a ver com os problemas cotidianos como vender ou comprar. Mas o sentido da vida não está de todo explicado pela nossa atividade econômica, nem os anseios mais íntimos do coração humano são atendidos por uma conta bancária.

Nesse período da história humana, em que toda a energia disponível é dedicada ao estudo e à investigação da natureza, dedica-se pouquíssima atenção à essência do homem – a sua psique – enquanto multiplicam-se as pesquisas sobre as suas funções conscientes. No entanto, as regiões verdadeiramente complexas e desconhecidas da mente, onde são produzidos os símbolos, ainda continuam virtualmente inexploradas. E é incrível que, apesar de recebermos quase todas as noites sinais enviados por essas regiões, pareça tão tedioso decifrá-los, e que poucas pessoas se tenham preocupado com o assunto. O mais importante instrumento do homem, a sua psique, recebe pouca atenção e é muitas vezes tratado com desconfiança e desprezo. “É apenas psicológico” é uma expressão que significa, habitualmente: “Não é nada”.

De onde exatamente virá esse imenso preconceito? Estivemos sempre tão manifestamente ocupados com o que pensamos que nos esquecemos por completo de indagar o que pensará a nosso respeito a psique inconsciente. As idéias de Sigmund Freud vieram acentuar, em muitas pessoas, o desdém existente com relação à psique. Antes dele rejeitava-se e ignorava-se sua existência; agora, a psique tornou-se uma espécie de depósito onde se despeja tudo o que a moral refuta.

Esse ponto de vista moderno é, certamente, unilateral e injusto. Nosso conhecimento atual do inconsciente revela que ele é um fenômeno natural e, tal como a própria natureza, pelo menos neutro. Nele encontramos todos os aspectos da natureza humana – a luz e a sombra, o belo e o feio, o bom e o mau, a profundidade e a tolice. O estudo do simbolismo individual e do coletivo é tarefa gigantesca e que ainda não foi vencida. Mas ao menos já existe um trabalho inicial. Os primeiros resultados são encorajadores e parecem oferecer resposta às muitas perguntas – até então sem nenhuma réplica – que se faz à humanidade de hoje.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Ainda o possíoveçl

1- Novamente não há ninguám em casa. como é feito o caminhi? Nãom há também nem ningueém na rua. Pra onde isso vai? Isso é muiroto mais silencioso do quie se pode ver.
Trata-se, comntudo de uma condiçaõe inevitpsavel.;Transcende o indivíduo certhjtamente.
A boca fica  seca e amnahão serádiferente. Poderia ser igual? Que fazer?

2- É preciso ser mais hinesto

3- Eles vão me entranbdoi aqui tosdos os dias poelas manhã. Eu os mato a tosdos com veneno porimeiro e depois ciomo o chinelo. quando eles se caem mortods pelo chçao m eu os recolho pelas asinhas e jogo - foda-se - pelas janeçala. O quintãol fica cheio sde marimbondos mortos.

4- A inveja, ao contrártio do que se poensa, é um sentimento nobre.

5- E se eu pudesse ser mais hinesto? O que [e que serisa enytão seria então? Acho difícil. /Muitas atitudes estçao ja incorporfadas no sentido literal. A cada agressão que o mundo insiste em colocar reotidamente, o corpo rtesponde de modo a oreservar-se , de certa forma. Esytá tudo ceto: o sorriso cordial, a conversa besta; qualquer coisa que o miundo moivido a bug brother instintivom  entende como simpolesmenmtte falsidade.

6-

7- O dia inteiro eu paseie que nçao podia deixar de dormir: é ´reciso entener que a ideia de recuperrar o tempo perdido é kininteoirramente impcil. A própria ideia de viver a vda é inteiramente oimbecil. Ou seja...

sábado, 21 de dezembro de 2013

Tentativas

1- Sempre caminhamos, apesar de tudo, para o final da noite. Chegamos a uma mesa cheia de desconhecidos. Meus olhos já cheios de um desespero emancipado da consciência identificam imediatamente as mulheres; classificatoriamente separam as feias, as bonitas, as lésbicas, as comprometidas. Meu cérebro tem a partir disso a matéria para produzir devaneios de possibilidades cuja concretização, já de antemão, desconfio ser impossível. [o que segue, neste ponto, será talvez acrescentado em uma futura edição desse texto, conforme surjam da experiência, condições para lidar com isso]. Sobre a mesa havia bolo, brigadeiro, cerveja e frituras. Tudo se misturava no meu estômago e na minha mente.

2- Ela estava lá no chão, de baixo da árvore. A barriga explodia de gravidez. Eu dei do meu bolso dois reais, "só tenho isso, moça", "tá ótimo, moço", ela me disse.

3- Nós chegamos já no início da noite. Ela estava usando um vestido amarelo esverdiado muito curto.

4- A sensação de irrealidade vai se afirmando conforme passa o dia. O calor inacreditável transforma todo o ar que ocupa o quarto, num líquido muito denso no qual o ventilador ligado no talo provoca apenas ondas minúsculas de movimento.

5- Finalmente decidimos, em vez de descer, subir sobre a plataforma. Na parte de cima da plataforma, a luminosidade forte do sol e o verde da grama  que se estendia até o horizonte produziram no cérebro um alívio. Um alívio que durou apenas até que ficasse clara a visão de incontáveis túmulos dispostos sobre a grama.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Sim senhor!, 2008 (dirigido por Peyton Reed)

A capacidade para afirmar a vida diante do imenso e evidente despropósito da rotina e das frustrações cotidianas está colocada, neste filme, como um desafio que se torna possível a partir do compromisso esdrúxulo e sedutor de dizer sim a todas as propostas.

Obviamente, este motivo, dizer sim a todas as coisas, rende um filme, dado o estágio alcançado pela consciência generalizada de que as frustrações humanas e a sensação de falta de sentido na vida decorrem da negação dos impulsos e das resistências às oportunidades e ocasiões que aparecem mais ou menos aleatoriamente. Estas resistências têm como objetivo preservar estabilidades e estados de segurança que cada vez mais aparecem no cinema de humor-com-auto-ajuda, como modos de escravidão voluntária que só fazem atravancar o movimento natural das coisas, com isso, impedindo que os acontecimentos de uma vida sem protecionismos criem, espontaneamente, mais acontecimentos.

Obviamente que está aqui colocada uma afirmação da pensamento liberal como uma transposição plenamente adequável a vida dos indivíduos. Claro está, também, pelos próprios pressupostos do pensamento liberal, que se um conjunto de princípios aplica-se ao indivíduo – no qual subjaz a essência que define a verdade das coisas – ele se aplica também aos mais diversos níveis de associações entre indivíduos.

Dizer sim, portanto, significa estar aberto às possibilidades, livre de preconceitos e apegos tradicionais que bloqueiam as oportunidades de mudança e de aceitação das novidades. Essas novidades se mostram boas e estimulantes, fazem sentir-se vivo quem estava como morto. Mas não é tão simples, porque ao adotar seu compromisso de dizer sim, Carl percebe, e afirma categoricamente, que mesmo as coisas ruins podem produzir coisas boas. Está aberto, então a tudo, inclusive ao inesperado, ao inconsequente e ao doloroso, e isso gera, de um modo ou de outro, benefícios. Enquanto o mestre do grupo/seita de auto-ajuda que propaga o "dizer sim", não esclarece que o compromisso de dizer sim não precisa ser radicalmente posto em prática, as ocasiões de negação trazem punições como que governadas por uma força maior e transcendente que impede o retorno a negação. É esta força maior que impede de ceder ao medo, cuja disposição predominante é a negação, cujo resultado é a preservação de um estado letárgico que só pode levar a sucessivos fracassos e, consequentemente a um estado de frustração permanente.

Este momento de relativização do “dizer sim”, que ocorre já na segunda metade do filme, é decisivo para pontuar o sentido da afirmação da vida antes que chegue o momento do desfecho. É o momento em que se coloca, como implicação não explicita, a distinção entre afirmação da vida e autodestruição. É o momento em que se afirma, também, apesar de tudo, os princípios da responsabilidade, da maturidade e da honestidade. A honestidade está, sobretudo, no argumento de que as relações interpessoais, para terem valor dependem de avaliações conscientes e consequentes, que partam de uma reflexão interior. Deste modo, “dizer sim” para tudo torna, para Allison, o amor de Carl sem valor, uma vez que, ainda que na prática as coisas funcionem melhor que nunca, todas as suas atitudes foram tomadas baseadas no princípio fixo de “dizer sim”.

Ao espectador, as inspirações suscitadas ao longo do filme – “eu deveria dizer sim à vida!” – que vão aos poucos estimulando o fascínio por uma inconsequência improvável, sofrem, nesse momento uma redução de potência, que o traz de volta à realidade, no entanto de modo apenas a fazê-lo reconhecer a validade de disposições às quais ele já adere: responsabilidade, maturidade, previdência. “É preciso saber dizer não.” O princípio liberal não pode prescindir de um conjunto mínimo de forças organizadas para a manutenção da ordem, portanto. Essas forças apenas não podem ter a pretensão de controlar a totalidade das coisas, uma vez que isso coloca em risco a vitalidade natural segundo a qual oportunidades geram oportunidades.   

domingo, 10 de novembro de 2013

Bem, sempre postei textos aqui saídos só e somente da minha (perturbada) imaginação. Escrever o desconexo e tentar o mais aleatório possível num texto com alguns sentidos sempre me divertiu. Mas o problema é quando esse aleatório e desconexo acontece de fato na sua vida e vc não consegue dar um sentido a ele. Esse texto que vou escrever é uma tentativa de entender o que aconteceu (na verdade, está acontecendo ainda). Peço que façam um esforço de perdoar qualquer incompreensão decorrente desta escrita ainda abalada.

Num desses últimos dias de chuva estava indo ao trabalho pelo caminho usual: depois de saltar do ônibus, caminho umas quantas quadras descendo uma grande ladeira até o portão da escola, que dá pra ver lá de cima. Sempre, em cinco minutos eu chegava à escola, esperava alguém da secretaria ouvir o bendito interfone e abrir o portão. Nesse dia a chuva estava forte, ventava, estava frio. Desci do ônibus meio atrapalhado com o guarda-chuva e logo me pus a caminhar. Então resolvi ligar na escola avisando que estava chegando para que já abrissem o portão e eu não ficasse na chuva mais do que o necessário.

Do outro lado, a diretora (ou quem eu achei ser a diretora) respondeu: "vem tranquilo, o portão já está aberto" e desligou logo em seguida. Achei estranho porque ela sempre foi atenciosa e não desligaria o telefone daquela forma. Mas dei de ombros mentalmente. São tempos de correria burocrática na secretaria. Nesse momento, erguendo o olhar percebi q estava na rua errada. Talvez por ter a vista atrapalhada pelo guarda chuva se debatendo incontrolável com aquele vento, ou distraído pela ligação eu tenha virado na esquina errada. Ficando puto pelo desvio involuntário (o que me custaria uns minutos de atraso), me virei para trás tentando me localizar, tentando perceber como corrigir minha rota rotineira. Percebi que estava no topo de um morro. Eu não só havia caminhado pela rua errada, como não havia percebido que estava subindo uma ladeira, ao invés de descer.

Processando na mente o mapa das ruas ao redor, percebi que não seria possível eu estar numa rua paralela à da escola porque todas elas desciam em ladeiras quase íngremes. Uma rua que subisse para o ponto em que eu me encontrava era um contrassenso. A minha reação lógica (quando vou aprender que a lógica não funciona sempre) foi voltar pelo caminho q tinha seguido. Na minha cabeça eu tinha feito o caminho inverso: ao invés de descer a ladeira, eu a subi. Grande problema: descendo pelo caminho a rua fazia várias curvas, para a direita, para a esquerda e para a direita de novo. Era uma verdadeira serpente. E sem outras ruas que a cortassem. Como eu havia feito todo aquele caminho sem perceber?

Já preocupado com o fato de que meu atraso se traduziria em uma perda de aula, apressei o passo disposto a chegar logo ao fim da ladeira e retomar meu caminho à escola. Depois de uns minutos caminhando por uma rua totalmente desconhecida percebi que a chuva estava parando. Ergui a mão esquerda para fechar o guarda chuva e ESPANTO! Não tinha mais um guarda chuva nas minhas mãos. Meu punho direito estava erguido um pouco a minha frente segurando nada mais, nada menos que o próprio nada. Assustado, olhei para trás. A lógica ditava: eu devia tê-lo perdido num vento mais forte, e distraído com o caminho desconhecido não percebi. Olhar para trás foi pior. A rua estava seca, com um belo sol como se nunca houvesse caído uma linda gota de chuva naquele solo. A única água que insistia em tentar molhar o asfalto quente era a que caía das minhas roupas. Tocar a barra da blusa molhada com minhas incrédulas mãos foi um momento de preservação da sanidade. Depois vocês verão como isso foi importante. Bem, eu não estava louco. Havia chovido. Embora nenhum elemento do ambiente me permitisse afirmar isso, minha roupa estava molhada. Era suficiente, ou melhor, foi-me suficiente.

Estando parado no meio da rua não me restou outra ação a não ser refletir mais uma vez sobre como havia chegado ali. Lembrei-me nesse momento que no celular eu tinha um GPS pronto para uso a qualquer momento (ae porra, sabia que isso ia ser útil em algum momento). Abre celular, abre aplicativos, abre Google Maps. Localiza meu local. Zoom out no mapa pra ver que que tinha nas redondezas. Foi fácil, mais cinco metros eu chegaria à primeira esquina da rua (e eu já a via desde uns cinco minutos quando descia o que parecia ser o final da ladeirona) que me deixaria exatamente no portão da escola; aquele portão que me esperava aberto já há alguns minutos; talvez já o tivessem fechado.

Cheguei à escola e estavam todos assustados: "como o senhor chegou aqui, professor?". Não pude imaginar como sabiam das minhas desventuras. Respondi: "cheguei caminhando, oras. Meio perdido, mas cheguei". Isso com um sorriso amarelo no rosto. "Professor, não sorria! e nos leve de volta por onde vc veio" me disse a inspetora realmente assustada. Demorei alguns minutos para compreender a situação: estavam todos perdidos na escola. Alunos, professores, funcionários haviam chegado no horário para a primeira aula também num dia chuvoso. Ao perceberem muitas goteiras (mais do que o de comum) saíram das salas e perceberam o lindo dia de sol que fazia, mesmo que nas salas continuassem a cair, cada vez com mais intensidade, goteiras. Água jorrava do teto; chuvas torrenciais. Ao saírem da escola perceberam que estavam eu outra rua, em outro endereço e, alguns suspeitavam, em outra cidade. Chegaram a aventar a possibilidade de outra dimensão. Expliquei o que havia ocorrido comigo e mostrando as roupas molhadas a todos fui quase aclamado. "Nos leve de volta para o dia chuvoso! Onde a água vem do céu e não do teto! onde estamos perto de nossos familiares! Queremos voltar pra casa!". Prontamente abri o portão e liderei a horda rumo à ladeira serpenteante. Alguns caminhavam quietos, outros conversando baixinho, outros dando risadinhas nervosas. Numa das tantas curvas encontrei meu guarda-chuva em frangalhos. Ergui-o para todos verem que um dia de chuva, de chuva forte, existiu em algum lugar, em algum momento. Ovacionaram não a mim, mas ao símbolo da esperança. Poderíamos retomar nosso caminho animados pela certeza de vitória. Segurar o guarda-chuva novamente foi um erro. Desembarcamos na praia da Normandia. A areia saltava nos olhos a cada tiro alemão. Só tive tempo de sentir um projétil me atravessando a barriga e cair lamentando minha falha. Eu havia conduzido meu grupo pro caminho errado: subir a ladeira era o mais lógico. E a lógica não funciona sempre.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Baby Blue

1- Quantos Heisenbergs não existem por aí? O homem que, por medo, passa por cima de princípios, valores, ou qualquer outra coisa que chamamos de "cola da sociedade". Pra dormir tranquilo a noite, vale tudo. Não estamos mais em tempos de afirmação do valor alheio. Muito menos de heroísmos e machos-alfa. O egoísmo é coisa séria.

2- Fico feliz quando escuto um álbum que me surpreende verdadeiramente. Não tenho escutado nada antigo (leia-se 2012 pra trás) por uma resolução pessoal (cansei dos lugares-comuns). E nessa tenho escutado muita coisa questionável e também muita coisa boa, mas subestimada. "I'm With You" de 2011 do RHCP foi um momento good vibe da semana.

3- Vou emprestar um pouco de time pra esse futebol de SP, porque lá em Minas tá sobrando. Vou te contar, viu...

4- Dar aula é buscar um equilíbrio pessoal 12 vezes por semana, ou quanto for sua carga horária. Com todos os problemas (a curto, médio e longo prazo) que o sistema implica e nos quais está implicado, o papel do professor está (e é estar) em cheque. Bem, essa consciência não facilita em nada seu dia-a-dia.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Os Girassóis da Rússia, 1970 (Dirigido por Vittorio De Sica)




A guerra aparece como fator maior e externo que interrompe a continuidade desejada dos planos. No fim do filme Giovanna e Antônio sentem com toda a intensidade a condição irremediável a que chegaram. Ainda há amor entre eles e, no entanto, o tempo, ao fragmentar os planos concebidos quando se conheceram, colocou a cada um deles uma nova realidade, da qual o outro já não faz e não poderá de modo algum novamente fazer parte. Destaca-se o fato de já estarem ambos velhos, de modo que com isso fica reforçado argumento de que o tempo levou tudo e que a guerra produziu descaminhos completamente imprevisíveis que destruíram todas as possibilidades do romance ideal construído no início.

A partir do momento em que Antônio vai à guerra cria-se uma expectativa, de realização quase certa, de que ele ainda esteja vivo. Quando a expectativa é satisfeita, ao mesmo tempo revela-se que agora Antônio tinha uma esposa e uma filha na Rússia, o que começa, desde este momento, a criar a expectativa pela reconciliação com Giovanna, a qual não se satisfaz, para compor a sensação da fragmentação irrecuperável do relacionamento.

Quando eles se encontram pela última vez, coloca-se pela última vez a expectativa da reconciliação. Este último encontro coloca um novo elemento de angústia ao traçar a dimensão da fragmentação das coisas, uma vez que Giovanna, que agora também é casada e tem um filho, assim como Antônio, não irá superar a dor da impossibilidade de reconstituir este amor que no início apresentou-se como ideal.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Repetições

1- Lá fora tem muitas galinhas. Elas ficam ciscando o dia todo as sementinhas de grama que nascem em meio ao barro sujo da praça.
Os sacos de lixo eventualmente caem no chão e fazem espalhar pela rua os segredos mais íntimos (e já em putrefação) de toda a vizinhança, assim que os cachorros enfiam neles seus dentes famintos.
O papel higiênico cagado pela donzela mais bonita da rua estará lá delicadamente exposto ao sol pela manhã.

2- Conforme os dias iam passando o gesto de olhar rapidamente para o sapo morto, na intenção de evitar pisá-lo, ia ganhando novos interesses. Por exemplo, como era possível que os cachorros da rua e os velhos que varrem para longe de suas calçadas as sujeiras todas, deixassem ali, no mesmo lugar, por dias e dias o sapo morto.
Depois notei que, de fato, jamais houve necessidade alguma de que os velhos e os cachorros interrompessem suas diversões cotidianas com a preocupação de remover o sapo da vista dos passantes. Aconteceu que, naturalmente, ao longo do tempo, as rodas de um ou outro carro acabavam passando, apesar do espaço todo da rua, bem por cima do espaço ocupado pelo sapo. Agora ele está lá, esmagado e preto. Ainda mantém a forma de sapo, mas está colado ao chão, como se fosse um desenho de um sapo, e aos poucos vai se tornando parte do asfalto.

3- O despertador explodiu como uma bomba às 7:26 da manhã. Meu corpo obedece a um reflexo rápido e inexplicável e minha mão interrompe prontamente a musiquinha desastrosa que todos os dias exige o retorno à realidade duvidosa do mundo. Permaneço na cama me perguntando com qual velocidade os minutos estão passando enquanto me decido se devo ou não me levantar. Pego novamente o despertador depositado com ódio ao lado da cama. São 7:40. É sempre assim. Saio da cama. Alguma coisa está errada, eu percebo e não tenho como negar, agora já estou habituado a reconhecer os sinais. É preciso evitar que o mal se espalhe.

sábado, 10 de agosto de 2013

Situações

1- Às vezes parece que falta muito pouco, mas justamente esse pouco é insuperável.

2- Os assentos especiais para grávidas, velhos, e deficientes nos bancos e nos ônibus, são indícios que revelam o que é a vida moderna. Obviamente que a partir do momento em que se vive em uma grande cidade é preciso obrigar as pessoas a serem gentis.
Mas isso nem é uma questão de gentileza, na verdade. Na verdade é inevitável que seja assim. Ninguém é capaz de dizer bom dia a todos com quem se pode cruzar pelas ruas e dentro dos supermercados. Os atendentes dos caixas dos supermercados, por sua vez, precisam ser obrigados a olha na cara o cliente e sorrindo, dizer-lhe bom dia. O padrão de atendimento é capaz de tornar mais agradável a manhã dos clientes dos supermercados quando um gerente de loja tem a função de garantir a manutenção da simpatia artificial que rompe com a inclinação natural do homem urbano à indiferença.

3- Eu ia subindo sozinho aquela rua inacreditavelmente íngreme pela qual resolvi me conduzir no meio da noite.
A dor começou leve e depois foi logo aumentando sem nenhuma consideração ao meu arrependimento e aos meus apelos silenciosos a entidades imaginárias genéricas, de que iria com certeza, daqui em diante, me comportar melhor. Sentia meu estômago sendo rasgado novamente. Pela boca já iam me escapando arrotos que me davam, pelo sabor que tinham, a certeza de que se havia azedado dentro da minha barriga todo o peixe com fritas e arroz e suco engolidos no almoço.

4- Um homem mais velho de cabelos grisalhos bem arrumados. Roupa social e um ar de quem, após longo tempo dedicado a ser reconhecido como responsável e competente, tornou-se também acostumado a dar ordens. Neste momento, no entanto, com a mesma disciplina que "o fez chegar onde chegou", ele ouve um almofadinha, pelo menos 20 anos mais jovem, que lhe explica a maneira correta de dar aos clientes a senha de atendimento comum ou preferencial. Será essa a função que executará daqui em diante. O salário será mais baixo, a autoridade será nenhuma, a prática profissional de anos de experiência é agora completamente inútil. Mas é preciso trabalhar e ocupar a cabeça.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Luris e as Duas Hospedeiras

           Conta-se que, certa vez, Luris viajava até Volmuria para eliminar um demônio que aterrorizava os habitantes dali. Nessa época, a cidade ainda não era o grande porto que viria a se tornar se não fosse pela intervenção do Senhor da Luz, era apenas um pequeno posto comercial.
No caminho, Luris passou por uma vila. Como era noite, ele já viajava a dias e via que em breve começaria a chover, ele resolveu pedir em uma casa se poderia passar a noite. Quem atendeu era uma mulher ranzinza com um olhar que parecia odiar a todos e até si mesma. Ao ver aquele homem estranho a sua porta não quis ajudá-lo.
- Mas eu aceito até dormir no seu estábulo. Só quero um teto para me proteger da chuva.
- Não tenho vaga e você assustaria os meus animais, que precisam estar bem relaxados para o trabalho duro de amanhã. Vá na casa da vizinha de baixo, ela talvez te aceite. – E fechou a porta na cara do estranho, sem saber que ele era o Grande Senhor.
Luris não se chateou. Para ele era um direito dos mortais de duvidarem das intenções daqueles que batem na sua porta. Ele seguiu a estada mais um pouco até chegar em outra casa. Bateu na porta e foi atendido por outra senhora:
- Se você realmente não se importa de dormir no estábulo, eu não tenho problemas. E eu acabei de fazer uma sopa, se quiser um pouco.
Luris aceitou grato a comida e o lugar para dormir. Naquela noite, se abrigou no estábulo e dormiu no feno. Acordou logo cedo, antes que todos, para seguir sua viagem. A mulher, sem saber que seu hóspede não se encontrava mais ali, foi lhe acordar, pois precisava retirar os animais para o trabalho no campo. Eis sua surpresa ao ver que, o feno onde nosso senhor dormiu, havia se tornado ouro. Ela mal pode acreditar nos seus olhos. Estava rica.
Mal fez essa descoberta, sua vizinha chegou para fofocar e lhe contou sobre o estranho que havia passado na sua casa tarde da noite e como ele teve a coragem de pedir um lugar para dormir. A hospedeira do senhor Luris lhe disse que esse mesmo homem veio e que ele devia ser o próprio Luris, pois o lugar em que ele dormiu havia virado de ouro. A primeira não acreditaria, se ela não tivesse visto o feno por ela mesmo.
A hospedeira então, pegou todo esse ouro e investiu na sua fazenda. Comprou animais, aumentou suas terras e sua plantação e começou a trabalhar que nem louca para dar conta dos seus novos bens. Enquanto isso, a mulher que havia recusado Luris se roía de inveja e falava mal da vizinha pelas costas. Estava indignada como ela era burra e havia transformado todo aquele ouro em mais trabalho. Ela, se tivesse toda essa riqueza, teria vivido uma vida de rainha.
Um mês se passou e Luris voltava pelo mesmo caminho após ter eliminado o demônio que atazanava Volmuria. As pessoas do local lhe ofereceram várias recompensas pelo seu feito, as quais ele agradecidamente refutou, exceto por umas pequenas doações que ele usaria para pagar o seu caminho de volta. E foi assim que, ele se encontrou novamente na vila do começo de nossa história, mas, dessa vez, ele foi até uma estalajem aonde pagou por comida e pretendia pagar por um quarto.
Estava sentado no seu canto, sem chamar atenção, pois ninguém sabia que ele era o Senhor da Luz, quando a primeira mulher o viu ali. Ela correu até ele, pois não queria que ele dormisse em outro lugar a não ser na sua casa.
- Ó senhor. Você por aqui de novo? Desculpe-me aquela noite, estava de mau humor e não fiz o bem como devia em ajudá-lo. Já tem um lugar para ficar?
- Pagarei por um quarto aqui hoje a noite.
- Não, eu faço questão que você durma em casa, assim não precisará gastar um tostão com acomodações.
Ela tanto insistiu que nosso Senhor aceitou sua oferta, mas fez questão de dormir no estábulo, embora ela tenha lhe oferecido uma cama dentro de sua casa. Luris passou a noite ali e, antes que qualquer outra pessoa acordasse, ele já estava de pé e seguiu viagem de volta a Valwick.
A mulher acordou o mais cedo que pode, mas não mais cedo que Luris, e correu para o local em que o Senhor havia passado a noite. Ela pulou de alegria ao ver todo aquele feno transformado em ouro, como o da sua vizinha. Com tanto ouro, ela parou de trabalhar, pois podia comprar tudo o que precisava. Começou a comprar várias jóias e os vestidos mais caros.
Alguns bandidos, sabendo dos boatos das duas vizinhas que ficaram misteriosamente ricas se dirigiram até o local para se enriquecerem. Eles invadiram a casa da primeira mulher e levaram tudo o que ela tinha. Não deixaram nenhuma das suas riquezas recém-adquiridas com ela e nem seu ouro. Foram então para a segunda casa e levaram o que encontraram de riquezas, que foi pouco, pois a segunda mulher havia investido seu ouro em animais e plantações, e esses bandidos não estavam interessados nem em um e nem no outro.

Assim, chegou o inverno e a época da colheita. A segunda mulher ficou rica com tanto que colheu. A primeira se afundou em dívidas e logo perdeu tudo e foi forçado a pedir ajuda, mas como não gostavam muito dela, sempre lhe fechavam a porta na cara. Assim, ela morreu de frio numa das noites de inverno.

quinta-feira, 18 de julho de 2013

Moça com brinco de pérola, 2003 (dirigido por Peter Webber)

Sobretudo é um filme educativo. Exagera aspectos do cotidiano para evidenciar diferenças do passado. A História é tratada como um conjunto de anedotas.
Como discussão que serve de pretexto para a exposição incessante do pitoresco está colocada, também do ponto de vista da curiosidade, as relações entre ricos e pobres, entre os hábitos de uma casa burguesa e as tarefas a serem realizadas pelos criados. Enfatiza-se os maus tratos à criada Griet pela esposa de Vermeer e, como contraponto a isso, destaca-se uma sensibilidade particular na percepção artística de Griet, que causa olhares de surpresa à esposa e à mãe da esposa de Vermeer, quando mesmo sendo uma simples criada, se preocupa com as possíveis alterações na luminosidade que poderia causar a limpeza das janelas do estúdio de Vermeer.

Griet, apesar de sua simplicidade, entende a arte de Vermeer. Esta contradição é reforçada pela completa ignorância artística da esposa. A percepção artística de Griet é explicada, em partes por gravuras desenhadas por seu pai, que ela carrega consigo como amuleto. Mas Griet também tem uma disposição inata para o entendimento da arte. Este atributo é evidenciado pela cena em que Vermeer explica a ela sobre a combinação das cores, fazendo-a olhar para as nuvens no céu, no que ela imediatamente compreende o ensinamento do artista sobre a complexidade da combinação das cores. À medida que se define a oposição entre Griet e a esposa, a percepção artística torna-se o elemento principal da oposição como fator que motiva a disputa pelo afeto de Vermeer. O surgimento de atração entre Vermeer e Griet é óbvio por questões da indústria cultural, os atores que os interpretam são Colin Firth e Scarlett Johanson. No que diz respeito às questões internas do filme, essa atração é fora de propósito e fica deslocada na discussão a respeito da sexualidade de Griet, que pelo modo como é colocada, dificilmente permite uma interpretação razoável. Griet é de família puritana, e desde o começo é marcada a diferença em relação à família católica de Vermeer, onde ela foi trabalhar ao sair da casa de seus pais. O choque quanto a essa diferença é, marcadamente sexual, expresso pelo abandono gradual de seus recatos puritanos que, por um lado, cedem aos apelos artísticos de Vermeer ao usá-la como modelo, e por outro, pela realização sexual concreta com o filho do açougueiro.